Seu corpo sua moda

Rick Owens, bem-vindo ao coro
27 de Setembro de 2013 . Por Patrícia Pontalti

Fotos Reprodução

Ontem fui dormir pensando em Rick Owens. Sim. Embora atenta às passarelas, elas não costumam interferir tanto na minha vida doméstica, ainda mais no meu sono. Não. Não sou tão suscetível a tais imagens a ponto de não tirar um desfile da cabeça. Menos, né?! Mas ontem fiquei matutando sobre o desfile de Owens - provavelmente, não apenas eu.

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Owens, um designer um tanto outsider, que em pouco mais de 10 anos de carreira nunca deu muito bolinho às pressões do mercado em nada do que assina (roupas, móveis e acessórios e até mesmo em sua casa noturna, a Spotlight Club, em Paris). Owens, com sua levada dark, com seus volumes contundentes, com sua desconstrução harmônica, com seu séquito de fãs góticos do hoje, com seus cabelos compridos, invadiu meu sono com seu desfile, uma enxurrada de eletricidade em meio à serenidade - um tanto chata, diga-se - da semana de moda de Paris.

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Owens, um amante da música e da dança, mergulhou na história do stepping, ritmo no qual o corpo vira instrumento de percurssão, em uma mescla de vários movimentos e influências, inclusive militares e de passos de líderes de torcida - tudo muito forte e marcado. Escolheu 40 modelos/bailarinas plus size, a maioria negra, em referência também à tradição da dança, que surgiram com cara amarrada como em alguns step shows que rolam em faculdades americanas. Uma elegância áspera, em uma imagem de puro impacto, a começar por burlar muitas convenções fashionistas, da esqualidez das modelos ao andar de passarela. Resultado?! Capa de sites, milhões de fotos e vídeos no Instagram, outro tantos de tweets. Respondeu a avidez de quem procura pelo novo com frescor delicioso.

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E a moda era linda, um sportswear sofisticado que o Style.com chegou a comparar com algo tão improvável como a NBA em Vionnet - adorei, e foi. E vestiu bem muitas das cheinhas do desfile - embora não fosse essa intenção. A intenção mesmo, acredito, era dar um basta, dizer chega a convenções que fazem bocejar. “Nós estamos criando a nossa própria beleza”, disse o estilista. E não precisa concordar com a beleza dele (ninguém precisa concordar com nada, viu?!), mas, sim, abraçar o conceito. A gente, que defende a diversidade de estilos, de silhuetas, de vidas, aplaude! E quer saber?! Nem me senti uma fashionista boboca por ter ido dormir com essa imagem na cabeça. Ao contrário! Me senti um pouquinho revolucionária em prol de algo além na moda - e fiquei feliz! Chega mais, Owens, ao coro do que já estão roucos de gritar. Uma voz forte sempre é bem-vinda.

O vestir bem - ou não
24 de Setembro de 2013 . Por Patrícia Pontalti

Assisti à cerimônia - ou parte dela - do Emmy no domingo à noite meio de olhos meio fechados, tipo de ressacão dolce far niente do feriado, tentando prestar atenção nos vestidos e na premiação - e torcendo, já sem forças tamanha a preguiça, para minhas favoritas, Breaking Bad e American Horror Story. Tá. Não vou falar da premiação e tampouco dos vestidos, já que isso é notícia mais do que velha. Quero comentar mesmo sobre duas atrizes que chamaram minha atenção por suas escolhas - e também pela polêmica que envolveu uma delas ontem, rechaçada pelo público e ovacionada pelos especialistas de moda, Lena Dunham, de Girls. A outra passou meio desapercebida, Mindy Kaling, ex-The Office e atual The Mindy Project.

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Bem. Lena vestia um Prada estampado pra quem não quer passar em branco. E por que ela desejaria ser discreta?! Por seus quilinhos a mais?! Por suas medidas distantes da anorexia comum ao meio?! Besteira. Ela tem todo o direto - e dever para com outras meninas não raquíticas, a maioria no mundo real - de usar uma roupa estampada, ousada. E o vestido era lindo. Entretanto, não era para ela. Não era. Ponto. E não estou sendo nem um pouco preconceituosa. É fato. Por quê?! Ora. Primeiramente, não valorizou o corpo de Lena, que eu acho uma mulher linda. Vestiu a atriz de um jeito errado, fazendo com que seu tronco parecesse mais curto e também afetando sua postura - repara aí na foto como até o pescoço da moça parece mais achatado. O modelo também parecia estar “boiando” no corpo. Faltou ajuste na região da cintura e dos seios. Resultado: ela ficou mal vestida - e mais cheinha, sim. O que dividiu opiniões é simples:  especialistas olharam para o vestido, lindo demais, o público para a garota, que escolheu errado. Por sinal, escolhas erradas fazem parte da vida de todo mundo, né?! Ou vai dizer aqui que todo mundo tá sempre impecável?! Eu passo longe disso…

 

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Lena tem algumas escolhas de moda bem interessantes e, embora seus erros ainda sejam maiores que seus acertos, já optou por modelos perfeitos para ela, como estes três aí de cima. Reparem como a silhueta da atriz ficou muito mais equilibrada com eles - e não faltou ousadia. Lena não tem que se esconder sob uma burca por estar cima do peso - e nem ninguém -, mas é bacana observar alguns detalhes que fazem  muita diferença. O macacão da foto à esquerda, embora também responsável por muitas polêmicas, veste bem porque deixa à mostra o que ela tem de melhor, evitando marcar o corpo - regra essencial para as cheinhas. Certo! O vestido de renda, bem mais tradicional, é requintado, contorna o corpo com elegância e brinca com transparências no colo e nos braços. Certo de novo! E o terceiro, em tom frio, é construído com recortes verticais, que só fazem bem para quem é mais cheinha, tudo ajustado na medida. Certo novamente! E inspirador.

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As mulheres - todas: magras, altas, baixas, gordinhas - devem usar a moda a seu favor, observando dicas imprescindíveis para vestir melhor conforme a silhueta, como tem feito a outra atriz que me fez bater palmas imaginárias: Mindy Kaling, de Edition by Georges Chakra. Tá. O vestido de Mindy não era lá estas coisas no quesito conceito, mas deixou ela linda - e, ao final das contas, não é isso que importa?! Repare que, mesmo sendo justinho, ela não marca demais e tem uma saia que desce reto, sem ajustar na barra, equilibrando as proporções do corpo, o que faz toda a diferença. A manga compridinha e os detalhes de cristal nos recortes vazados chamam a atenção para a beleza da atriz. Certo! Sem dúvida.

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E Mindy já me faz feliz com suas escolhas há algum tempo, em um crescimento que revela um senso apurado de moda. Sem ser careta ou covarde, escolhe peças, muitas totalmente abraçadas com a tendência da hora, que valorizam suas formas opulentas, comprovando que não é porque uma mulher é cheinha que deve ter medo do novo, de ousar, de cor e tudo mais. Exemplo é a primeira opção aí de cima, um t-shirt bordada com saia vermelha. A T tem decote aberto, perfeito para “emagrecer”, além de ser mais alongada, afinando o volume da saia. Certo! O vestido com estampa tribal tem efeitos geométricos que afinam, além de um recorte vazado no colo que é puro charme. Certo de novo! Já o pretinho nada básico  é uma revelação de modelagem, apimentado no comprimento, sutil na forma, uma harmonia perfeita. E certo novamente! E o que dizer o azul que contorna o corpo com perfeição, decorado por um cinto verde que fica na mesma família de tons, sem contrastar demais. Uma aula de bom gosto! Comprovação que a alma está nos detalhes!

 

Mulheres reais, curvas reais
16 de Setembro de 2013 . Por aspatricias

Ontem, domingo, a gente assinou um editorial de moda para a revista Donna, da Zero Hora, sobre algo que a gente acredita - e vive diariamente: moda não tem restrição de manequim, idade, tipo físico.  E elegância também não diz respeito a medidas exíguas, afinal, mulheres reais têm curvas reais, altura real, particularidades reais. Não é preciso seguir o tat padrão imposto pelas passarelas ou editoriais de revista. O importante é sentir-se bem e editar o que realmente combina com cada corpo e cada estilo de vida.  E esse editorial vem assinado por dicas de bem vestir para mulheres curvilíneas, dicas que a gente ensaia diariamente com nós mesmas, reais que somos, e também respondendo as dúvidas das clientes do Clube de Vantagem da Renner - é muito bacana este trabalho (acessem e perguntem). Bem. Aqui vai um pouquinho do que rolou na Donna ontem - e no site da revista tem mais, inclusive um vídeo aqui http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/donna/2013/09/truques-estilo-que-favorecem-quem-tem-curvas/39924/ . Ah! As lindas fotos são da Mariana Molinos, com beleza de Diogo Molinos, concepção de estilo da Pati Pontalti e styling de Patrícia Cuozzo. A gatucha é a Marina Cosette, da People.

Foto Mariana Molinos

Não tenha medo de misturar estampas de bicho, afinal, essa mescla pode ficar bastante sofisticada. A dica? Dê preferência a peças estruturadas, de alfaiataria, evitando tudo que for muito justo, decotado ou curto, ou seja, deixando de lado toques sensuais para não pesar demais o visual. Use bijuterias em tons próximos e neutros, reforçando a essência de requinte. Blazer e pulseiras do acervo da stylist; Vestido Iaiá; Colar Graziela Diehl para Maria Helena; Bolsa Daniela Seewald; Sapato Schutz

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto Mariana Molinos

 

Saia lápis para cheinhas? Por que não? Invista em um modelo de tom escuro e combine com uma peça de efeito alongador, como a camisa de listras verticais - sim, essas listras são mesmo ótimas para as exuberantes. A bossa extra? Um complemento, como casaco, um cardigã ou uma jaqueta de cor marcante, sempre usado aberto, o que cria uma linha vertical mais estreita que deixa bem equilibrada a composição. Saia Iaiá; Camisa Chamsah Couture; Cardigã do acervo da stylist; Carteira Lia Marchese para La Posh Store; Pulseiras Fátima Mello; Sapatos Schutz.

 

 

 

 

 

 

 

Foto Mariana Molinos

 

Peças com recortes verticais são perfeitas para alongar o visual, principalmente em contrastes de claro e escuro, como neste vestido totalmente emagrecedor. E o melhor: preto e branco se mantêm como uma das tendências marcantes da temporada. Use com acessórios de colorido vibrante ou de tons neutros - ou quem sabe ambos?! Vestido Chamsah Couture; Brinco Fátima Mello; Bolsa e sapato Schutz.

 

 

Cavendish e seus efeitos artesanais
11 de Janeiro de 2012 . Por Patrícia Parenza

Fotos Márcio Madeira/Divulgação

A Cavendish, marca carioca com mais de 20 de mercado, apostou no luxo dos detalhes, de técnicas e tecidos preciosos e das formas para o inverno 2012 na coleção apresentada na 19ª edição do Senac Rio Fashion Business. A inspiração vem da realeza inglesa, dos castelos medievais e das estampas dos papéis de parede assinados pelo inglês William Morris, um socialista de mil facetas (escritor, poeta) e um dos fundadores do movimento Arts & Crafts. Não à toa, a grife focou muito em efeitos artesanais, como bordados, rendas, vazados e recortados, além de estampas florais, claro. Ah! Também muitas transparências, mais uma vez recorrente nos desfiles, longos imponentes - outra aposta certeira para o inverno -, contraste de proporções (curto/longo) e aproximação de silhuetas (ampla com ampla, justa com justa). Nos tons, dos discretos nudes e rosas suaves até os marcantes amarelos e roxo (fique de olho neste tom). A gente amou as deslumbrantes saias longas.

Fotos Márcio Madeira/Divulgação

Estilo a tiracolo
25 de Janeiro de 2010 . Por Karol Denardin

De todos os acessórios lindos que desfilam nas passarelas das semanas de moda, as bolsas sempre exercem um certo fascínio sobre as mulheres. Separamos algumas belezas que passaram pela temporada de inverno da São Paulo Fashion Week, que a tiracolo ou não, sempre acrescentam mais estilo ao look.

Fotos Divulgação

A 2nd Floor apostou em bolsas maiores, tipo mala mesmo. O modelo espaçoso ganhou estampa xadrez em tons de azul, estampa de destaque da coleção, inspirada mundo dos detetives. Por outro lado a marca também apresentou opções menores, como essa assimétrica em couro e o outro modelo, um mix de couro e camurça.

 

Fotos Divulgação

A FH por Fause Haten apresentou bolsas médias e coloridas, como essa roxinha com detalhes fofos e o outro modelo rosa com metais dourados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos Divulgação

A Iódice apostou nas cores fortes da Amazônia e na delicadeza das bolsas. Os modelos pequenos com plumas ou detalhes em dourado são um charme só.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto Divulgação

Olha que graça essa da Erika Ikezili. Em contraponto ao tom apessegado as correntes e tachinhas não tiram a delicadeza da peça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto DivulgaçãoA bolsa em forma de saco da Triton ganhou furinhos e detalhes em roxo. O suficiente para diferenciá-la de todas as outras com o mesmo formato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos DivulgaçãoJá a bolsa de saco da Amapô tem outra origem. A grife se inspirou no universo urbano e fez bolsas parecidas com sacos plásticos, só muda o material.