Um pouco de tudo
25 de Janeiro de 2012 . Por aspatricias

Enquanto o Brasil encerra sua temporada para o inverno deste ano com o Fashion Rio e o São Paulo Fashion Week, Paris mostrou suas propostas para os homens (com o Men’s Fashion Fall Winter 2012/2013, que aconteceu de 18 a 22 de janeiro) e com o show máximo da capital da moda, Haute Couture Spring Summer 2012, iniciado na última segunda-feira.

Fora a confusão de estações - as temporadas europeias de prêt-à-porter sempre tem um ano de antecipação. No Brasil, são apresentadas seis meses antes da estação - e a infeliz coincidência de datas, o que sê vê por aqui sempre deixa vestígios no que é visto nas terras tropicais.

Foto AFP

A cidade luz vira uma passarela por si só, que pode ser conferida nos milhares de sites de street style espalhados pela web. Imprensa e curiosos do mundo inteiro, interessados em flashes mas também nas novidades e tendências de mercado, batem ponto nas tradicionais locações dos desfiles.

A intensa semana masculina mostrou uma paleta de cores entre cinzas, azuis pálidos e o clássico marinho, preto e bordô -  para homens reais e cotidianos - mas sempre com um toque de luz, como nos brancos e camelos da Louis Vuitton, que atrai os menos tradicionais.

Entre lãs e tricôs grossos deslocados do corpo para o dia, vimos peles para aquecer pescoços, ainda as barras dobradas das calças, jaquetas mais curtas e o onipresente couro.

Fotos Reprodução Internet

Pra mesclar o luxo tradicional da Vuitton com o público moderno que compra suas peças, a marca escolheu o mundo do ilustrador espanhol Antonio Lopez como ponto de partida: a elegância desse homem imaginado pela maison passa por Paris e Tóquio, vestindo longos casacos camelo e jaquetas de couro fake de crocodilo. E sempre carregando as lindas sacolas-bolsas adoradas pelos parisienses.

Fotos Getty Images

Já o belga Dries Van Noten, rei das estampas, não abandonou seu universo multicolorido nessa estação. Surpreendeu com artistas reais pintando a passarela em pleno desfile, enquanto suas cores ilustravam ternos bem cortados de alfaiataria e iluminavam veludos e smokings.

Fotos Reprodução Internet

Os quase surrealistas parceiros Viktor & Rolf mesclaram peças casuais com sofisticados itens. As texturas de cashmere e alpaca deram força aos parkas dos neo-dandis propostos pela dupla.

Mas de surrealismo mesmo vive a Alta - Costura. Como a clientela desses verdadeiros tesouros em forma de roupa é, ano após ano, menor e mais exclusiva, os shows dessa semana são sabidamente uma estratégia promocional das casas que ainda conseguem manter os caríssimos ateliers e produzir esse luxo. Com isso, vendem o sonho precioso e instigam os compradores reais a embarcar na fantasia.

Fotos AFP

Já foram apresentados Dior, Versace, Giambattista Valli e Chanel. Fora os costureiros convidados, ainda serão vistos Givenchy, Elie Saab, Jean Paul Gaultier e Valentino.

Fotos AFP

Karl Lagerfeld levou os convidados pra dentro de um avião, montado no Grand Palais, com serviço de bordo e tudo. No céu da Chanel diversos tons de azul, mas também texturas e formas inspiradas nos trajes da aeromoças dos anos 60. Técnica e acabamento insuperáveis, bolsos, plumas e paetês, a suavidade da seda e das cores em contraponto com os cabelos quase punk. Enfim, todas as referências Chanel como só Karl sabe explorar.

Fotos Getty Images

Na Dior, sem Galliano, o clima vintage elegante lembra o ex-diretor criativo. Mas o “drama” e o clima teatral foram consideravelmente reduzidos em sua ausência. A silhueta antiguinha foi trabalhada com tecidos firmes, imponentes e sensuais, respigando também em detalhes do make e dos cabelos. Muito anos 50, muito Christian Dior - como deve ser.

Fotos Reprodução Internet

E o Atelier Versace, de volta à alta-costura depois de 8 anos, retornou com o sexy tradicional da marca, sim. Mas também com uma pureza de detalhes incrível, prendendo a atenção em costas trabalhadas, zíperes e nos avassaladores sapatos-bota.

Agora é esperar, ansiosamente, a semana de ready to wear, que começa em 28 de fevereiro. E tentar, até lá, absorver e processar a avalanche de inspirações produzidas por imagens inesquecíveis.

Por Marcella Lorenzon/De Paris/Especial aspatríciasMarcella é jornalista, gaúcha, adoradora de moda, cultura, viagens, fotografia, cinema e design. E por isso se especializou em moda no Senac, em Porto Alegre, e na Esmod, em Paris, onde vive atualmente e busca novidades por todos os cantos. E agora escreve pra gente.

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