Carlos Bacchi, luxo sob medida
4 de Fevereiro de 2014 . Por Patrícia Pontalti

Foto Divulgação

A gente adora o trabalho do Carlos Bacchi, estilista que conhecemos há alguns anos graças a um amigo em comum, o stylist Alex Hoff. Alex conheceu Carlos na Europa e comentou que quando ele voltasse da temporada de estudos deveria nos procurar. E foi isso que ele fez, buscando com a gente alguma indicação de onde apresentar o portfólio em POA. Falamos de Greice Antes, e foi com a estilista que Carlos trabalhou por um tempo. Claro que o desejo de realizar um trabalho próprio foi maior - e assim ele partiu para novos rumos, que fizeram dele um criador de destaque, tanto que nós dedicamos nossa coluna na revista Bá por Mariana Bertolucci  a contar um pouquinho da história do Carlos. A gente reproduz o texto aqui, mas não deixe de ver a revista, que está cada mais bacana - tá! A gente ama a Mari, mas a qualidade da revista é um fato e não um “puxasaquismo”, viu?! Segue aí o textinho. Enjoy!

O sob medida é um constante desafio para o criador, que busca harmonia entre o desejo da cliente e a própria essência criativa. É exatamente o exercício bem sucedido desse equilíbrio que chama a atenção para o design – e para o designer. Quando a roupa veste bem, é singular e revela personalidade do autor: bingo! E é assim, completando cartelas de estilo preciso, que o gaúcho Carlos Bacchi tornou-se referência do tailor made nos pampas, sempre explorando bordados preciosos, tingimentos ecológicos e matérias-primas não-convencionais. A assinatura Carlos Bacchi tem a impressão da elegância. Sem erro!

Fotos Juliano Busetti/Divulgação

Bacchi, que já flertou com outras áreas menos criativas, como Educação Física e Engenharia, decidiu transformar a paixão pelo desenho e pelas roupas em profissão aos 20 anos, quando foi estudar Fashion Design pelo Istituto Marangoni de Paris. “Sempre gostei de roupas, de corpo humano, de beleza, resolvi me arriscar na moda e me achei.” De volta a Caxias do Sul, cidade natal, criou a primeira coleção, que, sem qualquer planejamento, surgiu inspirada pela irmã Camila, que morreu precocemente aos 18 anos. O estilista usou o quarto de Camila como um ateliê, um reduto onde desenhou, modelou, costurou cada peça, sempre com tecidos e aviamentos resgatados de outras épocas em uma loja antiga do centro de Caxias - o que denota de imediato duas principais características do designer, a de imprimir valor ao que muitos descartam e a busca por matéria singular. “Nunca parei de refletir sobre isso e, às vezes, acho que uma parte do meu trabalho é um reflexo dessa perda mal resolvida. Parece que cada vestido traz um pouco desses sentimentos, seja nos detalhes, nos modelos, na escolha das cores ”, comenta o estilista.

Foi assim, com uma bela e delicada coleção autoral, que Bacchi estreou e chamou a atenção pelo estilo requintadamente artesanal. Resultado? Muitos pedidos. Começou o sob medida, que acabou por sobrepor o prêt-à-porter. Entretanto, o prazer em trabalhar com ideias independentes dos desejos das clientes mantém Bacchi criando capsule collections que encantam quem vê na moda algo além do vestir. Claro que a procura pelo sob medida é tanta que ele precisa gerir o tempo de forma diferenciada, mantendo ênfase no exclusivo tanto no seu belo ateliê em um casarão antigo no bucólico bairro caxiense de Ana Rech como no espaço no charmoso Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Amo o processo de alinhavar as histórias de cada peça que produzo, por isso adoro fazer coleção e pretendo sempre manter o autoral. ”

Foto Juliano Busetti/Divulgação

Sem olhar para tendências, a fonte de inspiração de Bacchi está sempre próxima, em experiências, vivências e histórias pessoais, em viagens, em amigos, na própria casa. Sem dúvida, essa relação íntima reflete na moda de personalidade intimista, poética, sutil e deliciosamente simples. A força está sempre nas minúcias, que se revelam em uma cintura marcada, em um decote comportado e nas mil formas de explorar a matéria-prima – esta um caso a parte na obra do criador. “Gosto de escolher um tecido e esgotá-lo, usá-lo de diferentes formas e estilos”, observa.

Foto Divulgação

Não é exagero dizer que Bacchi tem um caso de amor com os tecidos. Nunca os vê prontos, mas, sim, em um processo criativo contínuo. Parceiro de uma fábrica sustentável de sedas no Paraná, desenvolve tingimentos com tudo o que se pode imaginar, como cascas de árvores, frutas, folhas. E não para por aí. No próprio ateliê, mistura tingimentos naturais com sintéticos, como chás preto, verde, de hibisco ou de maçã com canela, café e plantas com tintas industriais importadas. ”Gosto de misturar os dois, tingir um mesmo material com várias coisas.” Também dedica atenção extra a escolha dos tecidos, geralmente artesanais, como sedas feitas em tear misturadas com linho, algodão e até mesmo garrafas pet recicladas. Um feito à mão que valoriza um novo luxo, simplesmente encantador!

Foto DivulgaçãoCarlos por Carlos

Uma mulher bem vestida: a que sabe o que combina com ela. Também acho que a bem vestida é sempre a com menos pele aparecendo. Acho lindo tudo mais coberto, velado.

Elegância é… vestir-se para si, ser independente de modismos (a não fashionista) e ser despretensiosa, não querer “causar”. Parece sempre a melhor opção.

Onde está a beleza? No que transmite euforia, no que faz o olho brilhar e o coração palpitar. Tudo o que me emociona considero belo.

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