Baile de comunicação de marca com André Carvalhal
25 de Novembro de 2014 . Por Fernanda Cassel

O gerente de marketing da carioca Farm e mais novo escritor das letras de moda, André Carvalhal, esteve em Porto Alegre, mais precisamente no Studio Q, para lançar o seu  A Moda Imita a Vida e bater um papo com os sortudos que conseguiram participar desse encontro (a lista de espera chegou a 100 pessoas!). Antes do André começar a função, conversarnos um pouquinho com ele, pinçando algumas ideias gerais do livro e da cabeça criativa do moço. Vem comigo!

Foto Rafael Hansen - I Hate Flash

Foto Rafael Hansen - I Hate Flash

Qual foi a faísca que te motivou a escrever A Moda Imita a Vida?

AC: Foi muito engraçado isso por que o que me motivou a começar foi uma sessão de análise. Eu estava em momento de transição da minha vida, mudando de apartamento, me descobrindo… Enfim passando por uma série de transformações. Na análise eu tive o insight de que todos os questionamentos que eu passava na minha vida naquele momento tinham muito a ver com os que eu passava no meu dia a dia de trabalho a frente de uma gestão de uma marca de moda. O processo de construção de uma marca tem muito a ver com o processo de construção da nossa identidade, da descoberta das coisas que devem ou não fazer parte da nossa vida. Por isso que o nome do livro virou A Moda Imita a Vida.

Conta um pouquinho para a gente sobre esse paralelo entre a identidade pessoal e a identidade de uma marca!

AC: Quando eu comecei a dar consultorias para outras marcas, chegava nos lugares e as pessoas me perguntavam o que eu achava que elas tinham que fazer. Sempre era essa a pergunta! E aí eu comecei a pensar que a gente também se questiona muito na nossa vida sobre o que a gente vai fazer. Se a gente casa, se a gente compra uma bicicleta, se a gente estuda, se a gente viaja… E todas essas respostas partem do que a gente é na essência, qual o nosso propósito, e eu acho que esse é o paralelo. Da mesma forma como a gente, uma marca não nasce pronta, vamos nos descobrindo ao longo da nossa vida. Enquanto a marca vai se construindo, ela vai criando associações com coisas que formam na cabeça das pessoas a ideia de quem essa marca é.

Foto Jean Michel - I Hate Flash

Foto Jean Michel - I Hate Flash

Para um novo designer, uma nova marca, qual é o primeiro passo nesse auto-conhecimento?

AC: É de fato olhar para dentro, por que a gente tem uma tendência a olhar para fora, de querer de seguir o que uma outra marca faz, seguir o que o mercado está fazendo. Quando da mesma maneira como não existe uma fórmula na nossa vida para uma pessoa ter sucesso, para uma marca eu também acredito que não tenha. Cada marca tem a chance de ser única, de ser autêntica. Desde que ela olhe para quem ela é e entenda o que ela pode fazer e oferecer para as outras pessoas.

Agora falando da Farm, quando pensamos na marca logo pensamos na “Garota Farm”, pois é muito fácil personificar a marca. Como se deu essa personificação? Foi algo que veio do público ou de dentro da marca?

AC: Tem um pouco das duas coisas! Quando a marca começou, a Kátia, que é a dona, representava muito essa menina. Como eu falei, ela foi se descobrindo e foi se construindo, criando roupas para ela própria, para os programas que ela fazia: para a praia, faculdade, Baixo Gávea… Existia uma verdade muito grande e as pessoas começaram a reconhecer na Farm essa personificação, de que a marca representava essa menina. Em um determinado momento, tivemos de transformar isso em uma estratégia. Por que a Kátia foi mudando, foi se transformando, e a marca precisa ter uma proposta única. Agora, a gente tem um trabalho muito mais de observar essas meninas que compram a marca e entender como elas se comportam e quem elas são, para buscar o equivalente aquilo que a Kátia era naquele momento, nos dias de hoje.

Por fim, qual o próximo passo? Sabendo que o A Moda Imita a Vida foi sucesso de vendas, podemos esperar por um novo livro em um futuro próximo?

AC: Foi muita loucura esse lançamento, na primeira semana ele ficou entre os livros mais vendidos, no primeiro mês ele acabou, então fizemos uma segunda impressão, talvez agora teremos de fazer uma terceira para o início do ano… Mas eu já estou começando a trabalhar em uma segunda edição, com novos conteúdos, com revisões a partir do feedback que as pessoas estão me dando, do que as pessoas estão gostando, do que elas têm dúvidas. Então em breve virá uma versão turbinada!

Foto Jean Michel - I Hate Flash

Foto Jean Michel - I Hate Flash

Ah, que delícia seria se todo mundo falasse de comunicação e identidade de marca com a fluidez e o desembaraço que André o faz, teríamos cada vez mais marcas melhores e consumidores felizes!

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