Asap, 5 anos de boa moda
21 de Junho de 2016 . Por Patrícia Pontalti

Foto Messias Schneider/Divulgação

Fato: a moda é calma em Porto Alegre. E pode ter certeza que estou sendo boazinha, já que uma definição mais adequada seria desértica. Bravos que somos, resistimos a falta de tudo: eventos, desfiles, debates. Sim. Existem iniciativas bacanas, pode ter certeza, mas não há um movimento ou sequer algo que remeta a isso. Incompreensível. Temos designers? Sim. Temos fotógrafos? Sim. Gente da beleza? Ok. Modelos? Lindos. Produtores? Óbvio. Pensadores? Também. Boas lojas? Sem dúvida. O que falta? Incentivo, é lógico, mas também um pouco de vontade dos próprios criadores, de iniciativa de tirar o bumbum da cadeira e fazer acontecer, exatamente como a ASAP fez este final de semana. Um desfile, uma festa, uma junção de gente bacana que deu ares de metrópole ao clima polar da capital gaúcha. Só pela iniciativa, a marca já tem minhas palmas. Mas também pode contar com meus aplausos para a coleção, que celebra os cinco anos de label que tem conquistado elogios além de qualquer fronteira.

 

Óculos de madeira criados pela grife gaúcha Preza para a ASAP

Óculos de madeira criados pela grife gaúcha Preza para a ASAP

A ASAP, nascida como uma grife de camisetas que foi ganhando novas e amplas formas ao passar das coleções, elegeu um estúdio fotográfico como cenário para o desfile exclusivo a convidados, um misto de gente da moda, amigos e admiradores, publicitários, formadores de opinião, um público bem heterogêneo de estilo, mas similar de paladar, coisa que faz qualquer ambiente ficar muito mais agradável: gente diferente, mas que pensa parecido. No primeiro andar do estúdio, uma vídeo-instalação ocupava o amplo ambiente, apresentando o cenário e a movimentação do segundo andar, uma ideia simples, mas de muito valor estético. Me ganharam. No segundo andar, o cenário minimalista, decorado por cordas enosadas, o que já antecipava o tema do desfile, Nossos Nós, certa metáfora aos percalços da trajetória da vida, inclusive à da própria marca. “De nós para nós, desatamos os nós.”

Foto Divulgação

Coeso, os detalhes do ambiente também viraram acessórios nas roupas e na beleza simples e sofisticada, assinada pela equipe do adorável Kapo. As cordas e os nós exagerados decoravam as formas limpas e amplas da ASAP, que bebe de um estilo que jamais perde o vigor e tem fãs confessos da Bélgica ao Brasil, o minimalismo e seus antecessores de passarela que desvirtuaram os ajustes tradicionais da roupa - eu sou das que ama. Com foco no feminino, mas sem delimitar o gênero do público, inclusive as peças são modeladas em uma silhueta masculina, a ASAP brinca com a forma clássica - ou a falta dela. Sua matéria-prima vem suspensa no corpo, sem revelá-lo, em peças amplas que trazem detalhes e recortes que se modificam, provocando, inclusive, a possibilidade de intervenção/interpretação do próprio usuário.

Foto Divulgação

Como da boa escola que os inspira, surgem referenciais esportivos, assimetrias, contraste de cores e texturas e “flertes” da modelagem, que ora parecem uma coisa, mas são outra, como uma barra que sugere um macacão, mas é um vestido. Simples complexidade. Em cartela de cores cobiçadamente básica, a roupa da ASAP conquista pela harmonia de seu discurso, bem orquestrado pelos designers Sérgio Amaro e Gabriel Granja. Se existem alguns nós ainda a desatar para que produto e conceito se tornem cada vez mais sintonizados? Tá, existem, mas isso faz parte do processo de conhecimento e evolução de qualquer marca - e os seus designers já denotam expertise nesse processo se observarmos as coleções anteriores. Certo é que a ASAP está entre as grifes gaúchas que provocam desejo imediato. :)

Ah! Bom falar que a Asap contou com apoio do Kapo, da Preza, da Joy Models e do BeatsStudio.

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