#spfwn43, dia 2
15 de Março de 2017 . Por Patrícia Pontalti

O segundo dia do #spfwn43 foi corrido. Oito desfiles. Boas surpresas. E algumas tendências já se delineando. Ok. Elas podem até não ser grande novidade para quem é atento ao tema, mas é preciso entender que os movimentos, por assim dizer, têm uma vida mais duradoura, vão sendo trabalhados de diferentes formas, se transformando, sendo adaptados. Mesmo conhecidos de outras temporadas, tornam-se diferentes exatamente por essa metamorfose sutil, mas extremamente importante, que dá o tom do agora, seja uma material (ou a mescla deles), uma cor, um jeito diferente de usar. Isso tudo que escrevi é pra dizer pra você não torcer o nariz quando eu falar que os anos 1980 estão em alta. De novo? Sim. Foi a década mais presente nas inspirações, mas surge bem luxuoso, com glamour, mesclado a efeitos de streetwear (anota isso), fundamentais para imprimir o agora.

Quer ver? Vou falar de Vitorino Campos, Sissa, Gig, Two Denim, PatBo e Lino Villaventura. Teve também Lolita, mas a assessoria da marca não encontrou o meu convite e queria me dar um standing (de pé). Sério?! Trocentos anos de trabalho e ficar de pé vendo desfile? Me poupei e, assim, eles editaram pra mim. E olha. Vi as fotos e acho que vocês também não vão perder nada ao não saber minha opinião sobre o desfile da grife - ops! Eis a minha opinião ;) Bem. Vamos ao que interessa.

VITORINO CAMPOS

A inspiração: a obra do cineasta americano Terrence Malick, que traduz em seus filmes a origem e como as tragédias pessoais podem ser diminutas vistas sob a ótica global. Mas de Malick, o que Vitorino captou mesmo foi o talento em conectar elementos diferentes, que, mesmo próximos, nem sempre são associados. Complicado? Vamos aos fatos. A coleção mescla tecidos, tons e personalidade. Traz o peso da lã e do couro com a leveza da seda e do náilon, elementos esportivos, como as cordas de ajuste, chamadas coulissê, e zíperes pesados, e cortes delicados, modelagens oversized, mas sempre bastante femininas, tem o tal toque oitentista e umas sutilezas do grunge.

Fotos Divulgação Vitorino Campos

O que mais gostei: amei os vestidos ao estilo camisola em náilon com zíperes pesados nas costas, os conjuntos de calça e túnica alongada, também ao estilo camisola, os conjuntinhos xadrezes, uma interpretação bem contemporânea do tailleur que virou uniforme yuppie dos 80’s, e os enormes casacos-anoraks, um casulo chique e delicioso para o frio.

Fotos Divulgação Vitorino Campos

SISSA

A inspiração: a estilista Alessandra Affonso Pereira olha para as memórias familiares para criar a sofisticada – e enxutíssima – coleção, apresentada ao estilo performance. No próprio ateliê, as modelos ficavam paradas em frente a painéis construídos com biscoitos Globo, presos um a um, como argolas, com efeito ótimo, elegante e intimista. Chamada de Mombasa Dendê, a coleção traz referências à praia africana de Mombase, onde os pais passavam às férias, e à arquitetura e aos jardins do Irã, onde os pais de Alê se conheceram. As estampas se destacam, como a de folhinhas, em tons de caqui, bege, vinho e rosa, e a rupestre, em preto, branco e cinza ou em terracota e cru. Hits da primeira coleção, como o vestido longo ao estilo chemise, e o macacão Biba, se tornam desejo elegantes para o dia a dia.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: achei as poucas peças, cerca de 12 looks ao todo, bem requintadas, com cara de mulher fina e globetrotter, sabe?! Gostei muito do vestido longo chamado Rita, o tal chemisier reeditado de tecido estruturado e com um lindo laço na cintura, e das peças delicadas e estampadas. Os tons das estampas são lindos.


GIG

A inspiração: a estilista Gina Guerra olha para três décadas para criar o tricô de luxo que mescla a tecnologia do maquinário a técnicas artesanais: os anos 70, 80 e 90. O que ficou mais claro na passarela foram as duas primeiras, como se uma moça disco ingressasse no exagero oitentista – e teve uma suave derrapadinha grunge. E sim. A coleção foi bastante rebuscada em fios, texturas, estampas, sobreposições. Um verdadeiro powerdressing disco com efeitos de style que a tornam bastante atual, bom reflexo dos desejos do hoje.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: os macacões de mangas bufantes, os vestidos plissados, os conjuntos de calça flare com túnicas alongadas usados com uma peça que ainda não havia surgido nesta temporada, mas que é bastante forte como tendência internacional, os corseletes. Eles foram combinados sobre as túnicas, em look de único tom, bem interessante. Ah! Gostei muito também das jaquetas ao estilo bomber em modelagem oversized.


ELLUS

A inspiração: comemorando 45 anos, a Ellus trouxe à passarela um climão perfeito de nostalgia, revivendo clássicos da própria trajetória, com um clima rocker e fetichista, com um toquinho romântico. O mais mais da passarela foram as jaquetas de couro e as peças de alfaiataria.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: não posso deixar de falar do casting, que trouxe duas modelos que eu sempre adorei, Luciana Curtis e Marina Dias, entre outras estrelas das passarelas do ontem, como Mari Weickert, Caroline Ribeiro, Renata Kuerten. Carol Trentini, musa musa, abriu o desfile. E o melhor: Gelatti, o modelo mais gato de todos os tempos, lindão grisalho aos 52 anos. Adorei as calças de alfaiataria e cintura alta, daquelas que a gente precisa ter uma para a vida. E as jaquetas biker, é claro!

2DNM

A inspiração: a cultura inca surge como referência de bordados, adornos e aplicações no jeanswear da marca estreante no calendário. Interessante que as referências não se tornam óbvias. A coleção traz um delicioso jeans clarinho, délavé, em shapes volumosos, com destaque para os modelos clochard e masculino, parkas, jaquetas amplas e camisaria de construções elaboradas.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: as camisas e seus diferentes formatos. Achei lindas. As peças decoradas por babados, semelhantes ao que eu achei dos modelos da Animale, são o tudo do visual, sabe?! Aquela peça que reverte as atenções, que torna tudo mais requintado, mais precioso.

 

PATBO

A inspiração: o streetwear, mais precisamente o hip hop, inspira Patricia Bonaldi. A coleção é como um mergulho no universo das ruas de uma cidade como Los Angeles sob um prisma de luxo. Tem arte, tem música, tem sportswear - e tem mais a mão precisa da estilista para fazer peças de extremo glamour. Veludos, bordados, efeitos de tela decoram parkas, moletons, joggers, bombers, vestidos ao estilo camisola. O trabalho com bordados por vezes remete aos traços do grafite em efeito 3D - muito bacana.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: o shape esportivo com ares de luxo me pegou de jeito. Gostei muito da coleção, uma interpretação bastante autoral de Patrícia do que se quer para o agora. Adorei as peças com efeito de tela, as camisolas de veludo bordado combinadas a tênis pesados e o macacão de veludo vermelho (este eu preciso!).

 

LINO VILLAVENTURA

Agência Fotosite/Divulgação

De Lino, um mestre no drama e na arte de criar texturas, tramas, efeitos, nem vou falar de inspirações ou de coleção. Com o trabalho muito singular do estilista, sua moda sempre é diferente das demais, é sempre única, sempre vista sob uma ótica incomparável. Entretanto, o que mais curti nesta temporada foi exatamente o que trouxe Lino mais para próximo dos demais, seu jeito todo particular de fazer o que? Streetwear. Oi?! Sim. Ouso em dizer que a primeira parte do desfile de Lino, na qual ele imprime sua visão mais minimalista, me conquistou.

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