#spfwn43, dia 4
17 de Março de 2017 . Por Patrícia Parenza

O que predominou nas passarelas deste quarto dia de SPFW foi a tendência que já desponta como a grande influenciadora desta temporada, os anos 80. Desculpe aí se você não curte muito a década do exagero, mas, sim, ela se mantém neste inverno brasileiro - e a gente bem sabe que além das nossas fronteiras não é lá muito diferente. O que também ganhou destaque é a união do streetwear e de referências esportivas a elementos e shapes mais glamurosos - um casamento de sucesso já há algumas estações.

Hoje vou falar de quatro dos seis desfiles deste quarto dia. Infelizmente, não vi Cotton Project e nem Amir Slama. Para Cotton, a assessoria da marca me brindou com um convite standing (de pé). Fala sério?! Pois bem. Não tem como ver um desfile de pé, assim como é impossível enxergar as roupas de uma forma adequada para escrever sobre elas de uma fila D, que foi o que aconteceu com o desfile de Amir Slama - uma pena, o querido Slama sempre foi muito carinhoso conosco e fico triste de não acompanhar seu desfile sendo uma das jornalistas convidadas do próprio evento. Esta temporada está um tanto complicada em relação a isso. O SPFW nos convida, paga passagem, hospedagem e traslado, mas algumas assessorias das grifes esquecem disso, esquecem que cada convidado o foi por ser muito importante na sua região, influenciando e informado. Em 20 anos de SPFW, acho que nem no começo da carreira ganhei stading, por exemplo. Uma pena. Mas vamos ao que interessa, ao que a gente viu de pertinho e fez bater mais forte o coração. Vem!

À LA GARçONNE

A inspiração: fetichista e com referências SM e à cena clubber dos anos 1990, a coleção surgiu forte, vigorosa, estimulante, intrigante - e esses tantos adjetivos não são à toa diante do impacto que a gente estava mesmo precisando neste calendário. Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza novamente criaram uma imagem única, fresca, nova….que delícia! E o desfile chegou a gerar certa nostalgia, lembrando o início de carreira de Alexandre, com a lingerie, as botas pesadas, o xadrez e a icônica imagem da caveira.

Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: sem dúvida, o melhor desfile do dia! O casting, como já é tradição na grife, era maravilhoso, formado por modelos e figuras andróginas e tão instigantes quanto a coleção. Palmas para os vestidos lingerie e para os corselets fetichistas que foram misturados a outras peças mais estruturadas. Amei a aplicação de costelas que apareceu nos moletons. A alfaiataria masculina impecável com sobreposições maravilhosas em vários comprimentos e estampas.

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ALEXANDRINE

A inspiração: estreou no SPFW com uma coleção de minuciosos bordados e costura handmade. O estilista Batista Dinho construiu os tecidos a partir de uma trama de fitas de cetim e gorgurão, entrelaçadas manualmente. Um processo demorado e caro que dá de imediato exclusividade às criações. Uma curiosidade: o estilista trabalhava como instrutor de passarela para modelos e sempre teve o sonho de trabalhar com criação. Conseguiu! E fez um eficiente debut.
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O que mais curti: as tramas dos tecidos, a saia longa transparente, um item obrigatório da estação, e alfaiataria em conjuntos sequinhos.
JULIANA JABOUR

A inspiração: a estética do universo do motocross foi o ponto de partida e de chegada para a coleção de inverno da marca. Foi bonito, porém um pouco óbvio, principalmente devido as estampas de motos e flames. O bacana foi a união do romantismo, com mangas bufantes e golas altas meio vitorianas, com os shapes esportivos e de streetwear. O preto, branco e vermelho predominaram, e os anos 80 estavam ali firme e fortes nas modelagens amplas.
Agência Fotosite/Divulgação

O que mais curti: o maximoletom branco com babados, os macacões, ao mesmo tempo, elegantes e divertidos, as listras largas em preto e branco que predominaram em toda a coleção, e as pitadas românticas com golas altas e mangas bufantes.


TIG

A inspiração: a Tigresse agora é TIG. Em novo momento, a marca de Renata Figueiredo e Fabio Yukio aposta no tema metamorfose e em uma mulher em transição para contar seu inverno 2017. O mood dark-punk-glamuroso deu o tom a todas as peças do desfile, que começou com vestidos em forma de insetos de tule transparente e teve uma sucessão de peças desejo para mulheres fortes que querem chegar chegando em qualquer ocasião. Novamente, o shape esportivo veio aliado a tecidos nobres e muito brilho.

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O que mais curti: eu, que amo um overdressing glamuroso, curti muito. Os favoritos? O mix de casaco e microssaia de pele fake, a parka de paetês (desejo imediato), o moletom destroyed preto e branco com mangas bufantes, a jaqueta acolchoada P/B e a sobreposição de paetês com tules (muitas marcas fizeram, mas a TIG foi a melhor nesse quesito).

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