Projeto Estufa, o amanhã dos negócios criativos
21 de Março de 2017 . Por aspatricias

Se as passarelas do #spfwn43 podem não ter impressionado no quesito inovação em consequência de um mercado que, cada vez mais, exige minimizar erros com estratégias e roupas certeiras para enfrentar a crise, um outro evento paralelo se tornou espaço para discutir exatamente o que será da moda a partir do agora - e muito além do apenas vestir. O Projeto Estufa, anunciado na edição anterior e estreando neste temporada de inverno 2017, tem a intenção de promover debates sobre o futuro da moda e formas inovadoras de produção e consumo de roupas, promovendo debates, conversas, desfiles e encontros durante o calendário oficial da moda brasileira. Em tempos onde o pensar sustentável pode definir o futuro do planeta, é essencial a reflexão e o apoio a iniciativas que podem pautar o futuro dos negócios criativos. Além disso, foram discutidas tecnologias, ideias, novos materiais, design e mercado nos três dias do projeto.

O mais interessante foi a possibilidade de conexão de pessoas de diferentes setores: empresários, designers, consumidores, comunicadores. O projeto foi aberto ao público. E seis marcas foram escolhidas para desfilarem com as coleções:

Agência Fotosite/Divulgação

Helen Rödel: promovendo uma moda artesanal e autoral, a gaúcha Helen Rödel faz um trabalho incrível em crochê que faz a gente se perguntar como cada pontinho daqueles se tornou essa peça de modelagem que se ajusta perfeitamente ao corpo. As cores escolhidas para a coleção, em sua maioria vibrantes, contornam a silhueta e ressaltam sua brasilidade. São um suspiro de verão e calor, com suas roupas vazadas, às vésperas do outono. Não há como falar da marca sem pensar na criação, no trabalho minucioso realizado com adições e subtrações do ponto que, juntos, formam texturas elaboradas.

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Vale da Seda: a  marca paranaense faz referência ao tecido utilizado na coleção assinada por Enéas Neto. Com o objetivo de expor a ação do tempo, a coleção traz a seda em todos os estágios, passando pelo casulo, a organza e até uma versão desgastada, em tons pastel. Com muita fluidez, o desfile transmite leveza contrapondo com cinturas marcadas.

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A parte inovadora fica por conta da presença de um código QR nas etiquetas de cada peça. Através do código, o consumidor pode acompanhar, por exemplo, a quantidade de carbono que foi emitida e a quantidade de pés de amoreira que foi necessária para produzir a peça. Informação que empodera o consumidor e o convida a ser mais ativo e consciente na escolha dos produtos.

Agência Fotosite/Divulgação

Beira: com foco em recortes funcionais e na modelagem, a marca carioca de Livia Campos apresenta looks sem gênero, com shapes retos e largos. A cartela de cores passa pelo branco, cinza, preto e tons terrosos. Detalhe: todos os looks são monocromáticos, o que confere elegância ao desfile. Isso tudo com peças que exalam conforto.

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Llas: as irmãs mineiras Lorena e Laura Andrade se apropriam de um movimento que vem ganhando espaço na moda - a ausência de estações delimitadas. A coleção traz uma mistura de cores não-óbvias, junções de tecidos, muita transparência, resultando em looks alegres e leves para uma mulher contemporânea. O processo criativo das irmãs é orgânico e intuitivo, e reutiliza tecidos de outras coleções ou até mesmo recicla roupas antigas. A marca foi vencedora do prêmio de moda do Movimento HotSpot, que revelou talentos em 11 áreas da economia criativa.

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Era: um projeto de Eduardo Ramalho, filho de Dico Rama, um dos fundadores da Philippe Martin, uma das principais marcas cariocas da década de 90. Dudu, como é conhecido, aposta no  slow fashion, com estampas desenvolvidas em parceria com seu irmão, o artista plástico Bernardo Ramalho, representado pela galeria Gentil Carioca.


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Ca.Ce.Te: a marca de Raphael Ribeiro e Tiago Carvalho chama a atenção pelo seu design autêntico de streetwear. De espírito livre e jovem, a coleção é voltada para as ruas, unindo tecidos metalizados, estampas (que, por sinal, são feitas com serigrafia manual!) e jeans com lavagens retrô que estão bastante atuais. O foco é o underwear masculino e uma estética urbana, irônica e debochada.

Detalhe importante: em uma época em que ainda temos muito trabalho terceirizado para outros países pela mão de obra barata na indústria da moda, a marca só utiliza de mão de obra brasileira.

 

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