Um Bowie, muitas modas
13 de Janeiro de 2016 . Por Paola Pasquale

“Se você ficar triste, apenas se lembre de que o mundo tem 4.543 bilhões de anos e você, de alguma forma, deu um jeito de existir na mesma época que David Bowie”. A frase que está circulando pela web desde a morte de Bowie não poderia ser mais verdadeira. Bowie foi quase uma força da natureza, revolucionou o mundo como o artista completo, autêntico, único e complexo que era. Desde a sua morte, vários artistas declararam ter se inspirado em sua vida e obra, de Iggy Pop a Kanye West. Até David Cameron lamentou a perda no twitter. Sim, David Cameron, atual primeiro-ministro do Reino Unido e líder do Partido Conservador.

Não é de se admirar. Não houve limite algum para a genialidade do  cantor, compositor, ator e produtor genial que Bowie era. Ele esteve sempre muitos e muitos passos a frente de seu tempo. Bom, o que dizer do seguinte fato: seu primeiro hit, Space Oddity, de 1969, foi tema da cobertura da chegada do homem à Lua. Nada mais justo.

Com a moda não foi diferente. Conhecido como o “Camaleão do Rock, Bowie reinventou sua imagem diversas vezes para se expressar, seus figurinos complementavam magistralmente sua música. Mas, ao contrário do animal que lhe rendeu o apelido, nunca se adaptou a nada. Suas diversas personas abalaram estruturas sociais e tocaram gerações.

É uma tarefa quase que hercúlea tentar apontar apenas alguns momentos em que Bowie fez história na moda mundial, mas eis alguns:

 

Quando ele apareceu com visual hippie, cabelos ondulados e vestido da Mr. Fish na capa de The Man Who Sold The World, em 1971.

Quando ele usou um terno azul assinado por Freddie Burretti no clipe de Life On Mars (com make combinando).

Quando ele criou sua persona mais famosa, Ziggy Stardust, trazendo à tona a androginia e figurinos extravagantes. Nessa época, Bowie também se consagra como um dos grandes ícones da libertação LGBT.

Quando ele se inspirou em uma foto da modelo Christine Walton na Vogue Paris para fazer o corte de cabelo que marcaria sua carreira: ruivo, arrepiado e com mullet.

Quando ele maquiou um raio no rosto para criar a capa mais íconica de sua carreira, a do disco Alladin Sane, de 1973.

Quando ele pediu para o estilista Kansai Yamamoto desenhar os figurinos da turnê de Alladin Sane.

Quando ele apareceu com a histórica modelo Twiggy na capa de Pin Ups, de 1973.

Quando ele começou a também usar maquiagens elaboradas, cheias de referências históricas.

Quando ele se reinventou após o período de Guerra Fria, aparecendo com músicas e visuais minimalistas.

Quando ele apareceu no programa americano Saturday Night Live, em 1979, com roupa desenhada por ele e Mark Ravitz, inspirada nos figurinos de Sonia Delauney para a peça Le Coeur à Gaz. A roupa era tão pesada que Bowie teve que entrar carregado.

Quando ele usou diversos ternos coloridos de Peter Hall na turnê Serious Moonlight, de 1983.

Quando ele usou o casaco com a bandeira britânica assinado por Alexander McQueen na turnê Earthling, em 1997. O estilista era grande fã do cantor e eles mantiveram uma longa parceria.

Quando na turnê de Heathen, em 2002, ele usou figurinos assinados por Hedi Slimane, quando ele era diretor criativo da Dior, e afirmou: “Eu simplesmente confio em Hedi Slimane. A vida inteira tive muita sorte, pois sempre houve um ou outro estilista que quis me dar roupas”.

O mundo lamentou a perda de David Bowie, mas seu legado será eterno, assim como as inspirações em sua obra. Como ele próprio uma vez disse: “I don’t know where I’m going from here, but I promise it won’t be boring.”

É óbvio que não vai ser chato.

Harness, você ainda vai ouvir falar muito deles
18 de Agosto de 2015 . Por Fernanda Cassel

Os body-harness são peças elaboradas em couro (ecológico ou o verdadeirão), em correntes ou até mesmo em elásticos, feitos para usar por baixo de peças decotadas, por cima de camisetas básicas ou vestidos, sob peças com transparência… São várias as sugestões de uso, mas, para não errar na dose, é preciso entender um pouquinho mais sobre o dito.

O uso do harness foi surgindo pelas beiradas já há algum tempo. Em 2012, Max Azria mostrou algumas versões em couro, usadas sobre os vestidos assinados para a Hervé Léger; Nina Ricci realizou uma coleção, em 2013, com as peças feitas de elásticos conectados por anéis metálicos; Sarah Burton apresentou versões máxi das harnesses de metal em 2014 para a Alexander McQueen; e, este ano, Giambattista Valli adornou os vestidos superfemininos da sua jovem Giamba com pesados harnesses de couro. Além disso, o acessório foi aparecendo, de forma mínima, em algumas coleções de marcas de apelo boho-romântico, como Free People e For Love and Lemons - com a qual eu tive um caso de desilusão em janeiro deste ano -, mas, no Brasil, a tendência ainda não pegou fogo. Por aqui, uma das poucas lojas que vimos com as harnesses à venda é a Arquiteta do Amor, que possui alguns peças no estilo.

desfiles

Pense no harness como uma involução dos strappy e cage bras, aqueles sutiãs que transpassam alças no peito e nas costas, só que ele é composto apenas pelas tiras, sem a parte que sustenta o seio. “Então para que serve esse diacho?”, para acrescentar um elemento a mais na produção, oras! Um detalhezinho delicioso para dar uma complicada em visuais que pedem uma boa confusão!

Fotos @lopezjennylopez

A palavra harness vêm de “arreios” em inglês. Calma, não vá achando que você vai ficar feito uma égua usando a peça. Ele não carrega o significado literal da palavra! O sentido de “arreio” vem do fato que o acessório é preso no corpo, envolvendo o tronco, peito, ombros, pescoço e, por vezes, até os braços. De apelo levemente S&M, o harness é uma peça que traz sensualidade, pois sugere amarras e, por muitas vezes, faz o uso do couro, material fetichista por si só, por isso é bacana usá-la misturando romantismos ou minimalismos. Assim, o sexy permeia o look sem transbordar. Vamos mostrar alguns dos modelos mais vistos e como eles se alinham na produção. Vem comigo!

Com alfaiataria

Fotos reprodução internet

Sobre vestidos

Fotos reprodução internet

Apimentando básicos

Fotos reprodução internet

Usadas por baixo

Fotos reprodução internet

McQueen de volta pra casa
31 de Março de 2015 . Por aspatricias

Uma das exposições mais aguardadas do ano inaugurou este mês no museu Victoria & Albert, em Londres. Alexander McQueen: Savage Beauty é uma retrospectiva da carreira do designer comumente chamado de enfant terrible da moda. Alexander McQueen foi o gênio incompreendido que todos compreendiam; foi a ovelha negra a qual todos amavam; foi alguém que deixou muitos órfãos do seu trabalho, junto de milhares de admiradores. Para celebrar a carreira de Lee Alexander McQueen – nome completo do britânico – a mostra Savage Beauty estreou na terra do estilista (em 2011 ela foi exibida no Met, em Nova York). Segundo o diretor do Victoria & Albert, “Lee McQueen está voltando para casa“, onde ficará até o dia 19 de junho deste ano.

Foto EPA

A casa Alexander McQueen, agora comandada pelo CEO Jonathan Akeroyd e pela diretora criativa Sarah Burton, concedeu ao V&A acesso total aos arquivos do designer, podendo então expandir a mostra original, criando uma edição única para o museu londrino. Com 66 peças adicionais e o patrocínio da Swarovski, a exposição do V&A é dividida em diversas fases e em quatro ambientes, cada qual relacionado a um momento da carreira de McQueen.

Foto Reuters

Foto Victoria and Albert

Os desfiles realizados pelo designer eram considerados eventos da moda e não apenas uma mostra da nova coleção sazonal. Eram performances elaboradas nos mais diferenciados ambientes, nos quais as criações fantásticas de McQueen ganhavam vida. Muitas das peças clássicas assinadas pelo estilista, que estrelaram nas dramáticas passarelas, estão agora compondo a Savage Beauty. Entre elas o vestido que foi pintado durante o desfile de verão/1999 no corpo da modelo Shalom Harlow por uma máquina que expelia jatos de tinta; e a famosa bota Armadillo, a qual a primeira versão foi criada para a coleção de verão/2010 (a última do designer), inspirada por criaturas marinhas.

Foto Getty Images

Um dos elementos mais comentados da mostra é o holograma de tamanho real da modelo Kate Moss, que dança de forma fantasmagórica, com tecidos esvoaçantes e ao som de uma trilha sombria. Um final especialmente “McQueenesco” para uma exposição que tem sabor de homenagem. Uma das frases ditas por McQueen, as quais estão escritas nas paredes do V&A, resume o sentimento de quem visita a Savage Beauty: “Quando eu deixar de existir, as pessoas saberão que o século 21 foi iniciado por Alexander McQueen“.

Foto reprodução internet

#RIP McQueen
11 de Fevereiro de 2010 . Por Karol Denardin

O estilista Alexander MCQueen/Foto Reprodução InternetCom imensa tristeza, a gente noticia a morte de um dos estilistas mais talentosos desta geração. Hoje pela manhã, a polícia de Londres encontrou Alexander McQueen morto em seu apartamento. Com apenas 40 anos, suspeita-se que McQueen tenha se enforcado, mas a polícia preferiu ainda não se pronunciar sobre isso. Os mais próximos acreditam que a morte da mãe, Joyce, tenha sido o estopim.

Lee McQueen nasceu em Londres, filho de um motorista de táxi. Logo aos 16 anos já sabia que seu futuro seria na moda. Abandonou a escola e ocupou um lugar de aprendiz entre os alfaiates de Saville Row, aperfeiçoando sua famosa técnica de confecção. Depois de passar por Gieves and Hawkes, Angels and Bermans e Koji Tatsuno e, com 21 anos, mudou-se para Milão para trabalhar com Romeo Gigli.

Voltou para Londres em 1994, e depois de toda essa experiência, começou a chamar a atenção da imprensa, tratando de fazer seu nome. Inicialmente conhecido como “menino mal” da moda inglesa, Mcqueen aproveitou o rótulo, e logo a marca que levava seu nome já havia conquistado os londrinos e depois o mundo.

Seus desfiles teatrais tiveram repercussão e, em 1996, foi contratado como o designer principal Givenchy, substituindo John Galliano. Fazendo cada vez mais sucesso, em 2000, a Gucci adquiriu 51% na participação da linha “McQueen”.

Alexandra Shulma, editora da Vogue inglesa, declarou que “ele era o designer mais brilhante de sua geração e sua influência pode ser vista na forma como as mulheres se vestiram nos últimos 15 anos. É uma perda incrível não apenas para a mode inglesa, mas para a moda em todo o mundo”. E a gente concorda e lamenta.

A partir de hoje, as passarelas ficarão menos ousadas e inspiradoras. Confira um breve resumo de algumas coleções do estilista.

Matemática da moda
7 de Janeiro de 2010 . Por Karol Denardin

Certamente muitas pessoas já ficaram intrigadas com algumas extravagâncias de looks e inspirações de passarela. O designer australiano Jonathan Zawada resolveu isso com muito humor e criatividade.  Ele criou um site chamado Fashematics (fashion+mathematics) com o objetivo de resolver as equações da moda.

A diversão da brincadeira são as combinações feitas por Jonathan para chegar ao visual da passarela. Entre suas “vítimas” estão Alexander McQueen, Chanel, Christian Dior e qualquer outro que ele ache interessante. E não pense que o rapaz é um desentendido que não sabe nada do assunto. O designer já trabalhou nas revistas Pop, Nylon e V Magazine. Passa no site e te diverte um pouco. A gente adorou.

matmoda