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Anote este nome: Sabinna Rachimova. A designer, nascida na Rússia, cresceu em Viena e, antes de se mudar para Londres, ganhou experiência no ateliê de Schella Kann. Em 2012, atuou junto à uma das principais casas de moda parisiense, a Christian Dior, e, em 2013, na excelente grife Mary Katrantzou. Em 2014,  lançou a própria grife de moda feminina e acessórios sob o rótulo Sabinna. Suas criações propõem um elo entre tradição e tecnologia, entre moda e arte, entre experimental e comercial. E a estilista, que antes de se dedicar à moda foi blogueira ao lado do namorado, David, no divertido (e agora extinto) Broken Cookies, tem uma figura tão instigante quanto suas criações, o que tem, sem dúvida, colaborado para que se torne recorrente na mídia de moda menos convencional da Europa. Ela é um sucesso por lá.

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Uma verdadeira globetrotter, que já morou em cinco países, Sabinna declarou que quis trabalhar com moda desde criança, quando deixava de lado doces e brinquedos para ficar folheando revistas sobre o tema. Inspirada pelas artes, por filmes russos e pelo cinema em geral, suas coleções agregam técnica e conceitos estéticos interessantes, incorporando também as experiências pessoais. Já usou como referência a mãe e a infância na Rússia, o crescer em um sistema político que força um a ser como todos, as complexidades dos relacionamentos.

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A coleção atual, de verão 2016, com o título semelhante a algo como “casa é … onde você não é”, é baseada na história de uma menina que se move de país para país e é, assim, constantemente separada de familiaridade, especialmente da familiaridade do lugar – qualquer semelhança com a vida da designer não é mera coincidência.

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Composta por 20 looks completos, as silhuetas delicadas são encontradas nas saias lápis na altura do joelho, nos tops de seda e nos casacos cropped, que tem uma dose extra de criatividade com o uso de organza de bolinhas e listras. Os acessórios, alpargatas e bolsas-saco, reforçam a sensação de aventura proposta pelo tema.

O jogo em contraste é evidente através da justaposição de listras, no crochê feito à mão e nas flores impressas em 3D, réplicas perfeitas da técnica manual, o que incita algo característico do trabalho da jovem, a ligação entre o artesanato tradicional e as novas tecnologias. As frentes das peças são mantidas bastante simples, enquanto as costas estão em plena floração, repletas de detalhes intrincados. Em tempo: cada flor de crochê foi feita separadamente e depois usada para formar a peça, exatamente como a avó da designer a ensinou, o que reflete algo raro e muito cobiçado nos tempos atuais, originalidade e autenticidade, excelente e criativa resposta ao universo fast fashion. Moda de verdade.