#minastrend, 10 anos, dia 1
5 de Abril de 2017 . Por Patrícia Pontalti

Estou no Minas Trend depois de algumas temporadas longe (por corujice materna) deste calendário que nasceu para antecipar ainda mais os lançamentos nacionais (inclusive, tinha o rabicho “preview”) e unir ousadias de passarela à objetividade real de uma feira de moda. São 10 anos de Minas Trend e o evento se mantém fiel a essa essência, transformando em uma tribo uníssona os lojistas, os jornalistas e agora os digital influencers. Fato: todo mundo anda lado a lado por aqui, trabalhando na buena. Esta 20 edição, que celebra os 10 anos do MT, comprova isso e reforça a preocupação dos organizadores de manter a qualidade, principalmente da feira, uma das melhores do país, e dos poucos desfiles – poucos porque nem todos querem investir neste formato em um momento de se planejar melhor os investimentos, né mesmo?

Em apenas um dia do Minas Trend já resgatei minha boa memória. Um dia porque minha conexão de Minas para SP atrasou na segunda e perdi a festa/desfile de estreia, um pout pourri das marcas que participam da feira, normalmente com um styling ótimo traduzindo as principais tendências da estação. Portanto, ontem foi minha estreia nesta edição – e foi ótima. Circulei pela feira, que está linda, espaçosa, reunindo marcas que assinam roupas, acessórios, calçados de qualidade em diferentes estilos – você pode até não gostar de alguns estilos, mas é impossível negar o bom nível da marca e, por isso, pela curadoria, a feira se torna uma das melhores do país. Vou descobrindo peças, conferindo apostas e depois conto tudo melhor para vocês.

Agora quero mesmo falar dos primeiros desfiles, os primeiros a trazerem um perfume da temporada de verão 2017 – lembrem-se que o São Paulo Fashion Week veio com as apostas deste inverno. Na verdade, o desfile que abriu o Minas Trend não foi muito de verão, já que é um repeteco, mais enxuto e comercial, do que a Ellus apresentou no SPFW em março.

Ellus / Agência Fotosite

A coleção, que celebra os 45 anos da marca paulista, traz peças-chaves do streetwear da Ellus, um elo entre a transgressão do couro e a sofisticação da alfaiataria. Logo, difícil não curtir. Na passarela mineira, o show veio com peças mais leves, mas manteve os desejos da grife, como as jaquetas biker curtinhas, as calças de alfaiataria de cintura alta, os vestidos sequinhos e os acessórios pesados – benzadeus que eu quero um coturno já!

Ellus / Agência Fotosite

Na sequência, as apostas da estilista Natália Pessoa, que pela segunda vez sobe à passarela sem o nome da grife Faven. Exibindo a expertise em transformar tricô em algo singular que transita entre a rigidez da alfaiataria à fluidez de tecidos leves como a seda, Natália assina uma coleção que sem embala no power dressing, com destaque para formas ajustadas, mangas amplas, jabôs, cinturas marcadas, vestidos smoking de um ombro só e muitas calças fusos – ai, dio, os anos 80 nunca morrem. A cartela de cores traz o preto e branco apimentando por cítricos, azuis iluminados e rosas suaves, extremamente harmoniosa e suavizando na boa medida a força das formas e modelagens.

Natália Pessoa / Agência Fotosite

Natália Pessoa / Agência Fotosite

Para a marca mineira Plural o verão será de modelagens oversized, com um visual fresco e leve. Comprimentos mídis, tecidos naturais, como tramas de linho e voal de seda, estampas marcantes, mas em tons suaves, e muitos metalizados se destaquem na coleção. A marca também levou à passarela peças produzidas em impressora 3D, em uma série de modelos brancos com recortes vazados que encerram com certa rigidez o desfile fluido. Tudo bem bonito.

Plural / Agência Fotosite

Plural / Agência Fotosite

E pra encerrar o primeiro dos dois dias de desfile, a grife mineira Anne est Folle, das irmãs Renata e Ludmila Manso. Adorei o desfile, achei o melhor do primeiro dia. Reforçando a personalidade atemporal da grife, as peças mesclam diversas referências, que resultam em um visual mezzo nipônico, mezzo esportivo, totalmente contemporâneo. As prints são inspiradas por ornamentos geométricos dos anos 20 e por mosaicos e florais orientais – e a mistura delas, assim como a cartela de cores, é demais.

Anne est Folle / Agência Fotosite

As formas são amplas, confortáveis, deliciosas, com destaque para parkas, que, por vezes, até parecem quimonos, calças justinhas, amarrações, faixas e outros detalhes esportivos, como coulisses, e volumes localizados. Os sapatos, ah…., os sapatos, são de suspirar, com boots e tênis de escalada feitos de crochê (!) e slides coloridos e esfiapados. A gente torce para que Anne mantenha sua insanidade para todas as temporadas. E amanhã tem mais!

Anne est Folle / Agência Fotosite

Os jardins e as gangues do frio
6 de Novembro de 2014 . Por Patrícia Pontalti
Foi sob uma garoa típica da terra da garoa, embora e infelizmente rara nos dias paulistas de hoje, que chego à avenida mais famosa de São Paulo, cantada em versos de João Gilberto, a São João. No centro da maior cidade do Brasil, sob a correria típica desta região em qualquer cidade, está o cenário dos desfiles de Herchcovitch e Ellus, o Praça das Artes. Com linhas que remetem à obra de Lina Bo Bardi para o Sesc Pompéia, o prédio, que eu ainda não conhecia, é de puro impacto, em um ambiente totalmente propício à moda cosmopolita e sem fronteiras das duas marcas. De fato, é muito bom ver um desfile que rompe um pouco o convencional das apresentações desta semana, a maioria nas tendas instaladas no Parque Villa-Lobos - e isso já anima de largada.
Fotos Marcio Madeira Alexandre Herchcovitch
Herchcovitch parte de uma pesquisa sobre roupas de jardinagem para seu inverno 2015, unindo o feminino ao utilitário. As peças-chave não poderiam deixar de ser vestidos-avental, macacões, parkas e jardineiras em tecidos diversos que imprimem a casualidade ou o glamour às peças, já que uma das propostas da coleção é mostrar roupas para todos os momentos do dia e do calendário social - sim, por mais estranho que possa parecer em uma apresentação de Herchcovitch, esta expressão, ‘calendário social’, estava no release que fala sobre o tema. Enfim… Uma coleção com formas mais soltas do corpo, um excelente trabalho com flanelas plastificadas e latex, material que o designer domina como poucos, alfaiataria impecável e luxo na medida da sofisticação e em detalhes primorosos, como nas flores de plástico aplicadas nas peças.
Fotos Marcio Madeira Alexandre Herchcovitch
Fotos Marcio Madeira Alexandre Herchcovitch
Os doudones (aquelas peças acolchoadas) de veludo de seda eram de suspirar, assim como os tops de latex estampados como por um jardim abstrato e os vestidos de lã decorados por flores de plástico. O flower-boot, como Herchcovitch chama sua criação em parceria com a Melissa, é do tipo de querer já, afinal, o que uma bota com flores aplicadas não pode fazer até aos mais básico dos looks?! Preciso. O que faltou?! Sei lá. Tudo lindo, perfeito, fechadinho, correto, mas acho que fiquei carente de um pouco mais do espírito sempre inquieto e provocativo de Herchcovitch.
Agencia Fotosite
A Ellus elege um filme clássico perfeito para uma marca que trabalha com moda urbana (implico tanto com esta palavra, parece sempre que vamos ter uma moda rural, mas….): The Warriors, de 1979. Coincidentemente, acabei ver ver o filme, que era um lapso na minha formação cinematográfica, e superindico. Visual de rua dos comecinho dos anos 80, patches, muitos símbolos de identificação de gangues, jeans, grafite, couro, correntes, vinil, tudo que estava na passarela da Ellus, claro que de um jeito bem mais sofisticado, em um street-couture que celebra a tecnologia dos materiais, como o tweed coberto por uma camada de vinil (uau!).
Agencia Fotosite
As jaquetas biker e bomber foram chave da coleção, desde modelagens mais tradicionais a interpretações radicalmente lindas, como os vestidos biker com saias trompete ou os macacões de couro (sabe preciso?). A mulher é sensual, com a cintura, o colo e as costas valorizadas por decotes bem provocativos - o comprimento foi comportado, quase chegando ao joelho. No masculino, o shape slim também prevaleceu. Só implico um pouco com roupas muito cheias de patchs, vide as jaquetas com costas inteiras decoradas por patches, em uma representação de gangues imaginárias. Prefiro muito mais as peças com referências menos literais.

* Patrícia Pontalti viajou a convite do São Paulo Fashion Week.
SPFW Verão/15: Ellus e Amapô
4 de Abril de 2014 . Por aspatricias

Ellus

Ellus - SPFW Verao 2015 - Ag FotositeEllus - SPFW Verao 2015 - Ag FotositeEllus - SPFW Verao 2015 - Ag FotositeEllus - SPFW Verao 2015 - Ag FotositeEllus - SPFW Verao 2015 - Ag Fotosite

O jeanswear da Ellus veio predominantemente em lavagens clarinhas, conferindo uma leveza que é perfeita para a estação mais quente. As peças tinham shapes amplos, e brincavam com um lado mais masculino, um certo aroma de hip-hop - por mais que a trilha do desfile fosse samba - inserindo bonés com bandanas e até cuecas aparecendo nas composições da linha feminina. O metalizado veio em preto e prata e dividiu looks com texturas de crocodilo. Bem street e esportiva, a linha mostrou que a garota do verão 2015 da Ellus é durona e esbanja atitude, sem descer do salto.

Amapô

Amapo - SPFW Verao 2015 - Ag. FotositeAmapo - SPFW Verao 2015 - Ag. FotositeAmapo - SPFW Verao 2015 - Ag. FotositeAmapo - SPFW Verao 2015 - Ag. FotositeAmapo - SPFW Verao 2015 - Ag. Fotosite

Os desfiles da Amapô sempre trazem elementos de diversão às passarelas, e esse ano não foi diferente. Quando os primeiros modelos entraram apenas de sunga e vestindo pilhas de chapéus que ostentavam papagaios e tucanos, sabíamos que estava por vir uma coleção jovem e que não se leva tão a sério (o que se tornou mais claro ainda, quando ouvimos que É o Tchan foi a trilha sonora). O jeans cintura alta, peça que a Amapô faz com maestria, apareceu em tons vibrantes de amarelo e laranja, e as estampas que retratavam o tema da coleção - a Bahia - eram de um colorido sem fim. Cordas mais robustas estrelaram em várias das composições, com nós de marinheiro nos biquínis e se entrelaçando delicadamente nas rendas da última peça, como linhas de um bordado.

Ellus e o novo couro
20 de Janeiro de 2010 . Por Patrícia Pontalti

Fotos Divulgação

A grande atração da coleção de inverno da Ellus é uma novidade no produto que é carro-chefe da grife, o jeans. A Ellus desenvolveu o leather denim, que, como o nome antecipa, é o jeans com um tratamento especial que proporciona uma aparência de couro à peça. E mais: ele ainda tem elasticidade na horizontal ou vertical, resultando em ainda mais conforto e leveza. De impressionar. E com o material a Ellus criou calças, vestidos curtos e macacões superajustados, jardineiras e jaquetas sequinhas. A garota é sexy e esportiva ao mesmo tempo. Já para os garotos, a pegada é mesmo mais esportiva, com destaque para as calças chamadas de new straight, com perna reta e gancho profundo,  e para os casacos chamados protection, inspirado nos uniformes de bombeiros. O preto domina, pontuado por azul, amarelo e vermelho. Ah! De impressionar o jogo de luzes ao estilo laser que garantiu uma cena meio Missão Impossível na abertura do desfile. E outro ah! Jesus Luz estava no casting, mas quase passou batido no meio da modelada. A luz do ambiente superou a de Jesus.

Jesus para Ellus
7 de Janeiro de 2010 . Por Karol Denardin

A Ellus vai trazer Jesus Luz para desfile e campanha / Foto Divulgação

A Ellus vai trazer para o SPFW o modelo mais comentado e disputado do momento, Jesus Luz. Além de desfilar, o  top ainda vai exercitar sua porção DJ e assinar a trilha do desfile. De quebra, o namorado de Madonna vai estrelar a campanha da marca, acompanhado da gauchinha Cíntia Dicker. O ensaio vai ser todo em clima fetichista, e os cliques serão de Jacques Dequeker.

O desfile da Ellus na SPFW acontece dia 19 de janeiro, 19h30, na Bienal.