Renner, tropical-chique como um sonho de verão
2 de Agosto de 2017 . Por Dialla Dornelles

Apresentando o preview de verão 2018 ontem à noite, a Renner seguiu a tendência naturalista e de cores leves para a estação mais quente. Em São Paulo, o desfile reuniu convidados em uma apresentação com foco na brasilidade e diversidade, já que o casting não tinha restrições de numeração e até mesmo de idade - uma das belas a desfilar foi a figurinista Vera Valdez, primeira modelo brasileira a fazer sucesso no Exterior. No total, foram 60 looks selecionados pelo stylist e editor de moda Thiago Ferraz, que tem uma mão certeira para nos deixar suspirando.

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Peças de alfaiataria em linho, extremamente sofisticadas, combinam com o beachwear e traduzem o mood tropicalismo-chique da coleção. As estampas exploram a flora e fauna brasileira, desde palmeiras e flores a pássaros. Impossível não citar o forte apelo de conforto da coleção: shapes amplos e tecidos leves, em uma paleta veranil que passa pelos tons de blush, azul, aquarelados e sépia. O brilho, em todas as suas formas, continua em evidência, aparecendo em peças de paetê, saias e calças em vinil e, vale destacar, em um conjunto esportivo lindo metalizado e arroxeado - já na wish list. Ah! Muitos babados, blusas românticas, ênfase nos ombros, e misturas de estilos, como o esportivo com social, casual e alfaiataria. Lindo!

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A Renner faz uma aposta segura nas tendências de verão, dando continuidade às trends e atualizando seu catálogo com escolhas certeiras e fundamentais, como a valorização da natureza nas peças e a própria diversidade do casting, que diz muito sobre o estilo, né mesmo? Algumas peças já podem ser encontradas nas lojas e através do e-commerce da marca. Ou seja, basta acessar www.lojasrenner.com.br para dar acesso aos desejos mostrados ontem à noite. Rapidinho, né?! Total fast fashion.

 

 

Bota vermelha, use já
22 de Maio de 2017 . Por DiallaDorneles

A gente tem certeza que Dorothy amaria a nova mania entre as fashionistas: botinhas vermelhas. A dita pode até não ter poderes mágicos, mas, com certeza, imprime um toque pra lá de especial ao visual. E, apesar de não parecer, pode ser muito versátil na hora de vestir, combinando com vários tipos de composição. Para comprovar, espia aqui quatro jeitinhos diferentes de usar, com idêntica bossa, a bota vermelha. Vem!

Bota + jeans + blusa de tom neutro

Começando pela maneira mais fácil e sem erro de usar - com jeans. A produção fica bastante cool quando somada a um modelo bem despojado, principalmente no modelo “mom” ou com a barra desfiada. Isso resulta num contraste de estilos que casa bem.

Fotos: Pinterest

Bota + vestido ou saia preta

Um recurso muito interessante para a bota é o de incrementar looks outrora mais simples, como um todo preto. O sapato serve como ponto de cor, e o resultado é um visual que sai da mesmice e fica cheio de bossa.

Fotos: Pinterest

Bota + peças estampadas

Sim, é possível! Não é só em composições básicas e neutras que se pode usar a bota vermelha. Algumas combinações casam muito bem sim, obrigada, se o objetivo for ousar. Um recurso para tornar a combinação mais certeira é escolher uma estampa que tenha algum tom de vermelho, como a bota. Mas isso não impediu Olivia Pallermo de escolher uma estampa com outros tons e acertar em cheio.

Fotos: Pinterest

Bota + Preto e Branco

Outra combinação de cores incrível é o preto, branco e vermelho. A gola rolê preta surge como elemento agregador de estilo e faz o visual parecer mais elegante.

Fotos: Pinterest

Met Gala 2017: quando a ousadia é pré-requisito
2 de Maio de 2017 . Por aspatricias

O Met Gala é um baile singular em todos os sentidos. Reúne os mais criativos designers de moda. As modelos mais lindas. As celebridades mais fervidas. E tudo para arrecadar fundos para o Costume Institute, que todo ano realiza uma exposição deslumbrante sobre algum nome da moda, como agora que homenageia a japonesa Rei Kawakubo, fundadora da Comme des Garçons. Por tudo isso o Met Gala se torna um momento de sonho, um universo a parte, onde o que vale mesmo é ser lúdico, divertido, desafiador, provocativo. É o ambiente perfeito para fugir do lugar-comum. Aqui a elegância não é tão fundamental quanto a ousadia, diferentemente de um tapete vermelho como o do Oscar, por exemplo. Diriam, os mais exagerados, que o Met é como um dia das bruxas em maio. E que eles estejam soltas com todas suas excentricidades. No Met, quem não chega para chocar, nem precisava chegar. E é nesse tom que fizemos uma seleção dos looks que mais causaram na noite de ontem.

Rihanna

Em primeiro lugar, ninguém é mais merecedora de estar nesta lista do que @badgalriri. Ela abraçou a bizarrice e escolheu escandalizar ao invés de se ater ao seguro. A estética do visual remete ao designer marroquino Jean-Charles Castelbajac, que utiliza também do humor nas criações e muito volume. Não vamos entrar em detalhes sobre o look ter funcionado ou não (chato!!!), o certo é que vale um primeiro lugar em qualquer lista de excêntricos do ano, isso sem falar que referencia a própria homenageada, assinado pela Comme des Garçons.

Rihanna

Katy Perry

Outra que não poderia faltar nesta lista é Katy Perry. Já era de se espera excentricidade da cantora devido a seu histórico e pelo fato de ser co-host do evento. Com um vestido vermelho com direito a véu, a cantora chamou atenção ao desfilar o exótico look da Maison Margiela. Com um visual tão elaborado, Katy certamente correspondeu ao código de vestuário de vanguarda, mas não conseguiu escapar de piadas na internet ou de entrar para a lista de pessoas mais mal-vestidas do evento, de acordo com alguns. Achamos o visual pesado, porém merecedor de um local privilegiado nessa lista de causadoras. Viva Katy!

Katy Perry

Solange Knowles

A irmã de Beyoncé não passou nada despercebida do nosso radar. Como se não bastasse o vestido de matelassê bem volumoso, com cauda longa, o modelo é finalizado por um sapato de personalidade igualmente exótica. A internet adora esses eventos para produzir muitos memes e falar mal dos looks incompreendidos. Chegou a comparar a musa cantora com um saco de dormir. O que a gente pensa disso? Azar de quem não curtiu, nós adoramos.

Solange Knowles

Kendall Jenner

A modelo resolveu causar não pelo seu look, mas pela falta dele. Kendall mostra que é uma verdadeira Kardashian e até pode perder o troféu de mais ousada da noite da nossa lista, mas ganha certo o de mais pele à mostra. O que não significa que ela estivesse feia: pelo contrário, o resultado foi sexy, com o vestido ostentando mais de 85 mil cristais assinado pela estilista Julia Haart. Fiquem, então, com a foto do vestido e a derrière mais comentada da noite.

Kendall Jenner

Madonna

A cantora, que no ano passado foi ao Met Gala de bumbum de fora, apostou na tendência militar neste ano. O vestido camuflado, da Moschino, se analisado sozinho, é muito bonito. Cá entre nós, não favoreceu tanto o corpo da diva - mas ela é Madona, bitch, nem precisa da nossa opinião (kkkk). Detalhe para o sorriso da cantora, que apostou em um acessório para acentuar ainda mais o espaço que ele sempre teve entre os dentes da frente.

Madonna

Bella Hadid

O catsuit da modelo deu o que falar. Expôs cada forma de seu corpo que, convenhamos, não tem muito o que botar defeito. Com o objetivo de ser gótica e glam, o visual assinado por Alexander Wang brinca com o brega, mas acaba acertando no sexy. Aprovamos este mulher gato de arrasar!

Bella Hadid

Cara Delevigne

Com um terninho lindíssimo da Chanel, Cara Delevigne se destacou pelo look futurista. O espaço nesta lista fica por conta do cabelo - ou a falta dele. A modelo e atriz, que recentemente raspou a cabeça para um papel, combinou a roupa com a cabeça pintada de prata. Inusitado, mas, no contexto, funciona.

Cara Delevigne

Stella Tennant

Com um visual assinado pela Comme des Garçons, a modelo escocesa surge elegantíssima com uma mistura de tendências que deram certo juntas: sapato branco, meia arrastão e mangas extra bufantes em um vestido azul. Queremos!

Stella Tennant

Irmãs Olsen

Por último, mas não menos importantes. As irmãs dificilmente erram na composição e desta vez não foi diferente. Unindo boho e vintage, dois momentos favoritos da dupla, os looks da noite são complementares. Além disso, os vestidos são de noivas e ganham acessórios garimpados pelo mundo em suas viagens. Lindo, lindo.

Irmãs Olsen

Menção honrosa para Gigi Hadid, que estava lindíssima, e Gisele, que causa em toda em qualquer ocasião.

Gigi Hadid e Gisele Bundchen

 

#minastrend, 10 anos, dia 1
5 de Abril de 2017 . Por Patrícia Pontalti

Estou no Minas Trend depois de algumas temporadas longe (por corujice materna) deste calendário que nasceu para antecipar ainda mais os lançamentos nacionais (inclusive, tinha o rabicho “preview”) e unir ousadias de passarela à objetividade real de uma feira de moda. São 10 anos de Minas Trend e o evento se mantém fiel a essa essência, transformando em uma tribo uníssona os lojistas, os jornalistas e agora os digital influencers. Fato: todo mundo anda lado a lado por aqui, trabalhando na buena. Esta 20 edição, que celebra os 10 anos do MT, comprova isso e reforça a preocupação dos organizadores de manter a qualidade, principalmente da feira, uma das melhores do país, e dos poucos desfiles – poucos porque nem todos querem investir neste formato em um momento de se planejar melhor os investimentos, né mesmo?

Em apenas um dia do Minas Trend já resgatei minha boa memória. Um dia porque minha conexão de Minas para SP atrasou na segunda e perdi a festa/desfile de estreia, um pout pourri das marcas que participam da feira, normalmente com um styling ótimo traduzindo as principais tendências da estação. Portanto, ontem foi minha estreia nesta edição – e foi ótima. Circulei pela feira, que está linda, espaçosa, reunindo marcas que assinam roupas, acessórios, calçados de qualidade em diferentes estilos – você pode até não gostar de alguns estilos, mas é impossível negar o bom nível da marca e, por isso, pela curadoria, a feira se torna uma das melhores do país. Vou descobrindo peças, conferindo apostas e depois conto tudo melhor para vocês.

Agora quero mesmo falar dos primeiros desfiles, os primeiros a trazerem um perfume da temporada de verão 2017 – lembrem-se que o São Paulo Fashion Week veio com as apostas deste inverno. Na verdade, o desfile que abriu o Minas Trend não foi muito de verão, já que é um repeteco, mais enxuto e comercial, do que a Ellus apresentou no SPFW em março.

Ellus / Agência Fotosite

A coleção, que celebra os 45 anos da marca paulista, traz peças-chaves do streetwear da Ellus, um elo entre a transgressão do couro e a sofisticação da alfaiataria. Logo, difícil não curtir. Na passarela mineira, o show veio com peças mais leves, mas manteve os desejos da grife, como as jaquetas biker curtinhas, as calças de alfaiataria de cintura alta, os vestidos sequinhos e os acessórios pesados – benzadeus que eu quero um coturno já!

Ellus / Agência Fotosite

Na sequência, as apostas da estilista Natália Pessoa, que pela segunda vez sobe à passarela sem o nome da grife Faven. Exibindo a expertise em transformar tricô em algo singular que transita entre a rigidez da alfaiataria à fluidez de tecidos leves como a seda, Natália assina uma coleção que sem embala no power dressing, com destaque para formas ajustadas, mangas amplas, jabôs, cinturas marcadas, vestidos smoking de um ombro só e muitas calças fusos – ai, dio, os anos 80 nunca morrem. A cartela de cores traz o preto e branco apimentando por cítricos, azuis iluminados e rosas suaves, extremamente harmoniosa e suavizando na boa medida a força das formas e modelagens.

Natália Pessoa / Agência Fotosite

Natália Pessoa / Agência Fotosite

Para a marca mineira Plural o verão será de modelagens oversized, com um visual fresco e leve. Comprimentos mídis, tecidos naturais, como tramas de linho e voal de seda, estampas marcantes, mas em tons suaves, e muitos metalizados se destaquem na coleção. A marca também levou à passarela peças produzidas em impressora 3D, em uma série de modelos brancos com recortes vazados que encerram com certa rigidez o desfile fluido. Tudo bem bonito.

Plural / Agência Fotosite

Plural / Agência Fotosite

E pra encerrar o primeiro dos dois dias de desfile, a grife mineira Anne est Folle, das irmãs Renata e Ludmila Manso. Adorei o desfile, achei o melhor do primeiro dia. Reforçando a personalidade atemporal da grife, as peças mesclam diversas referências, que resultam em um visual mezzo nipônico, mezzo esportivo, totalmente contemporâneo. As prints são inspiradas por ornamentos geométricos dos anos 20 e por mosaicos e florais orientais – e a mistura delas, assim como a cartela de cores, é demais.

Anne est Folle / Agência Fotosite

As formas são amplas, confortáveis, deliciosas, com destaque para parkas, que, por vezes, até parecem quimonos, calças justinhas, amarrações, faixas e outros detalhes esportivos, como coulisses, e volumes localizados. Os sapatos, ah…., os sapatos, são de suspirar, com boots e tênis de escalada feitos de crochê (!) e slides coloridos e esfiapados. A gente torce para que Anne mantenha sua insanidade para todas as temporadas. E amanhã tem mais!

Anne est Folle / Agência Fotosite

Um Bowie, muitas modas
13 de Janeiro de 2016 . Por Paola Pasquale

“Se você ficar triste, apenas se lembre de que o mundo tem 4.543 bilhões de anos e você, de alguma forma, deu um jeito de existir na mesma época que David Bowie”. A frase que está circulando pela web desde a morte de Bowie não poderia ser mais verdadeira. Bowie foi quase uma força da natureza, revolucionou o mundo como o artista completo, autêntico, único e complexo que era. Desde a sua morte, vários artistas declararam ter se inspirado em sua vida e obra, de Iggy Pop a Kanye West. Até David Cameron lamentou a perda no twitter. Sim, David Cameron, atual primeiro-ministro do Reino Unido e líder do Partido Conservador.

Não é de se admirar. Não houve limite algum para a genialidade do  cantor, compositor, ator e produtor genial que Bowie era. Ele esteve sempre muitos e muitos passos a frente de seu tempo. Bom, o que dizer do seguinte fato: seu primeiro hit, Space Oddity, de 1969, foi tema da cobertura da chegada do homem à Lua. Nada mais justo.

Com a moda não foi diferente. Conhecido como o “Camaleão do Rock, Bowie reinventou sua imagem diversas vezes para se expressar, seus figurinos complementavam magistralmente sua música. Mas, ao contrário do animal que lhe rendeu o apelido, nunca se adaptou a nada. Suas diversas personas abalaram estruturas sociais e tocaram gerações.

É uma tarefa quase que hercúlea tentar apontar apenas alguns momentos em que Bowie fez história na moda mundial, mas eis alguns:

 

Quando ele apareceu com visual hippie, cabelos ondulados e vestido da Mr. Fish na capa de The Man Who Sold The World, em 1971.

Quando ele usou um terno azul assinado por Freddie Burretti no clipe de Life On Mars (com make combinando).

Quando ele criou sua persona mais famosa, Ziggy Stardust, trazendo à tona a androginia e figurinos extravagantes. Nessa época, Bowie também se consagra como um dos grandes ícones da libertação LGBT.

Quando ele se inspirou em uma foto da modelo Christine Walton na Vogue Paris para fazer o corte de cabelo que marcaria sua carreira: ruivo, arrepiado e com mullet.

Quando ele maquiou um raio no rosto para criar a capa mais íconica de sua carreira, a do disco Alladin Sane, de 1973.

Quando ele pediu para o estilista Kansai Yamamoto desenhar os figurinos da turnê de Alladin Sane.

Quando ele apareceu com a histórica modelo Twiggy na capa de Pin Ups, de 1973.

Quando ele começou a também usar maquiagens elaboradas, cheias de referências históricas.

Quando ele se reinventou após o período de Guerra Fria, aparecendo com músicas e visuais minimalistas.

Quando ele apareceu no programa americano Saturday Night Live, em 1979, com roupa desenhada por ele e Mark Ravitz, inspirada nos figurinos de Sonia Delauney para a peça Le Coeur à Gaz. A roupa era tão pesada que Bowie teve que entrar carregado.

Quando ele usou diversos ternos coloridos de Peter Hall na turnê Serious Moonlight, de 1983.

Quando ele usou o casaco com a bandeira britânica assinado por Alexander McQueen na turnê Earthling, em 1997. O estilista era grande fã do cantor e eles mantiveram uma longa parceria.

Quando na turnê de Heathen, em 2002, ele usou figurinos assinados por Hedi Slimane, quando ele era diretor criativo da Dior, e afirmou: “Eu simplesmente confio em Hedi Slimane. A vida inteira tive muita sorte, pois sempre houve um ou outro estilista que quis me dar roupas”.

O mundo lamentou a perda de David Bowie, mas seu legado será eterno, assim como as inspirações em sua obra. Como ele próprio uma vez disse: “I don’t know where I’m going from here, but I promise it won’t be boring.”

É óbvio que não vai ser chato.