A força do coletivo: Inspiramais
29 de Junho de 2016 . Por Patrícia Parenza

Inspirar, provocar, instigar, ir além. Se tem algo que a moda necessita é disso tudo. Como diz o designer e consultor Walter Rodrigues “trabalhar com moda não é para amadores”. E se depender dele e do trabalho que ele vem realizando junto à Assintecal não terá cópia nem coleção ruim para os criativos dessa área. O Inspiramais Inverno 2017 - Salão de Design e Inovação de Materiais, que aconteceu esta semana, em São Paulo, ofereceu todas as ferramentas necessárias para quem quer criar um produto original. Foram dois dias de total inspiração.

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Investindo em design há uma década, o evento estabelece um diálogo com as empresas para que elas entendam a ideia de um projeto com início, meio e fim. E que a inovação não é apenas uma vitrine e, sim, a prova da evolução do pensamento em todas as áreas da empresa. Seja ela de calçado, vestuário ou mobiliário.

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Durante esses dois dias, visitantes de todo o Brasil e de diversas partes do mundo conferiram, em primeira mão, todos os lançamentos em materiais para calçados, bolsas, vestuário, acessórios e móveis para o inverno 2017, contando também com um preview do verão 2018.

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Para o inverno 2017, “apontou-se a força do coletivo, indicando uma inspiração forte para sentimentos que estão à flor da pele, independentemente de qual seja sua cor.  Tonalidades vibrantes para encantar e dar vida aos produtos e festejar a ideia da moda como um aglutinador de forças para uma indústria mais forte, mais atuante - capaz de entender sua posição na estrutura da cadeia produtiva da moda e de se orgulhar disso”, conta Walter.

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Projetos já consagrados do evento que colaboram no desenvolvimento de uma moda genuinamente brasileira, o Fórum de Inspirações, Projeto Comprador, Mix by Brasil, Saberes Manuais e Ecodesign fazem os visitantes terem uma visão de 360 graus sobre todo o processo criativo e de negócio.

A sustentabilidade é um dos focos do evento. Todos os projetos apresentados no Inspiramais estimulam o uso de materiais não tradicionais e a reutilização do resíduo da indústria calçadista e têxtil.

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O projeto Eco Design, dirigido pela estilista Isabela Capeto, traz a consultoria para o desenvolvimento de produtos em couro a partir de práticas que tenham pouco impacto ambiental, utilizando solventes a base de água, produtos chrome free e taninos vegetais para o desenvolvimento  das criações da designer.

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O projeto Saberes Manuais, em parceria com a Insecta Shoes e o Grupo Ana Banana, o Estúdio Rato Rói desenvolveu sapatos ecológicos e veganos, produzidos no Brasil. “Transformamos em sapatos peças de roupa vintage, além de garrafas de plástico recicladas. Os mais diversos tecidos e estampas daqueles modelitos abandonados no passado viram botas, oxfords, sandálias e slippers veganos, sem nenhum uso de matéria-prima de origem animal”, conta Flávia Vanelli, responsável pelo projeto. O que mais surpreendeu foram os  sapatos e bolsas desenvolvidas com resíduos industriais e luminescentes com fita VHS.

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E o projeto Mix By Brasil, que resgata o artesanato brasileiro, valoriza a mão de obra e as habilidades individuais, além de incentivar o uso de técnicas que unem artesanato e design, Antes do evento, os artesãos de quatro comunidades participantes recebem uma consultoria, de forma a auxiliar na criação e desenvolvimento de 10 componentes em cada comunidade. Aqui, do RS, o grupo Canoa de Canoas, que produz acessórios de moda usando a técnica da trama e colagem de residuos da industria textil e borracha.

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Projetos, ideais, iniciativas que confirmam que um novo olhar para indústria é necessário, ponto, e também possível.

Arte no seu tempo: conheça o Artikin
13 de Junho de 2016 . Por aspatricias

Nem sempre a paixão pelas artes e pelos eventos culturais é proporcional ao nosso tempo na agenda ou à nossa capacidade de organização, não é mesmo? Foi pensando em harmonizar essa relação que surgiu o Artikin, uma plataforma de curadoria e criação de conteúdo especializado em arte. O centro do projeto é um aplicativo para celular que funciona como guia cultural e organiza a agenda de arte da maneira mais prática possível: por data de encerramento, em contagem regressiva. O app está disponível para iPhone e Android.

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Como o Artikin funciona: as exposições que estão prestes a sair de cartaz ficam no topo da lista para que, assim, o usuário priorize suas visitas. Diferentes filtros customizam a visualização da agenda, e um mapa indica as mostras mais próximas à sua localização atual. É possível selecionar suas favoritas e compartilhar em outras mídias o seu próprio roteiro. Além da programação dos principais museus, o app Artikin também lista espaços alternativos ou independentes onde acontecem mostras geralmente desconhecidas pelas mídias convencionais.

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E tem mais. A seção ROTAS propõe trajetos elaborados para o aproveitamento total de um passeio focado em arte. As rotas contemplam diferentes regiões da cidade e indicam as exposições que recomendamos e a sequência mais prática para visitá-las. Na seção AULAS, o app lista cursos, palestras e workshops sobre arte, selecionados entre as melhores instituições, desde museus tradicionais até espaços experimentais.

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O projeto é independente e, por enquanto, só cobre São Paulo, mas, em breve, serão incluídas outras cidades. Segundo o diretor, Eduardo Biz, o negócio tem como objetivo comunicar arte de uma maneira nova, leve e smart. “Isso é o que gostamos de fazer: curadoria e pesquisa de arte. Aos poucos, vamos apresentar ideias e testar possibilidades de retorno financeiro. Queremos nos aproximar de instituições e parceiros que nos ajudem a elaborar novos projetos, para que as pessoas visitem cada vez mais exposições e aprendam mais sobre arte”, explica.

Para quem amou o projeto (como nós!), o Artikin ainda sustenta um Canal no Youtube que traz aulas sobre conceitos da arte contemporânea e apresenta os períodos fundamentais desta recente história da arte. Genial, né? Confere aqui!

SAVE THE DATE: Casa de Criadores
4 de Abril de 2016 . Por aspatricias

Já pode se preparar, a 39ª Casa de Criadores está de data marcada. O evento acontece dos dias 12 a 15 de abril, em São Paulo. Já estamos ansiosas com o que vem por aí!

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Highlights Inspiramais inverno 2016
10 de Julho de 2015 . Por Fernanda Cassel

Cobrir a Inspiramais pela primeira vez pode ser um pouco atordoante - ainda mais para alguém que só conhecia a feira lendo a respeito. Até entender exatamente do que se trata o Salão de Design e Inovação de Materiais (ou, apenas, Inspiramais), a quantidade de informações, cores e texturas que são apresentadas podem dar até uma certa tontura! Mas aos poucos os projetos da Inspiramais vão sendo desvendados, as cores e texturas são contextualizadas e você entende que não haveria um nome mais apropriado para o evento. Primeiramente, a Inspiramais não é uma feira para compradores (como, por exemplo, a Francal); ela é uma feira de componentes direcionados para a indústria de calçados, roupas e móveis (sendo essa última uma relativamente nova adição).

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Entram em “componentes” couros, tecidos, aviamentos, aplicações metálicas, materiais para palmilhas e solados, inovações em tratamentos… Tudo o que colabora para o resultado final. Por isso, quem espera ver produto na Inspiramais, saiba que ela não está aqui para isso! Tanto a feira quanto os projetos paralelos (Fórum de Inspirações, Mix by Brasil, Referências Brasileiras, +Estampa…) possuem o intuito de sensibilizar o criador, o designer, e não o consumidor final ou o lojista. No entanto, a Inspiramais acaba por seduzir até quem não está incluso nesse briefing! Como são tantas coisas bacanas que se apresentam no Salão, resolvi destacar alguns highlights da Inspiramais, coisas bacanas que são estão sendo desenvolvidas nos projetos desse evento da Assintecal, FCBB e CICB.

Fórum de Inspirações Inverno 2016 // Walter Rodrigues

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* O Fórum é um bureau de estilo comandado por Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Design da Assintecal, que passa todo o semestre que antecede a Inspiramais pesquisando tendências de moda e design de componentes originalmente brasileiras.

* “Sou a favor da crise, ela separa o joio do trigo. Quem está perdido, fica pelo caminho, quem está focado, cresce!“, afirmou Walter Rodrigues respondendo sobre o que ele pensa do mercado da moda na situação atual. Para ele, as pessoas gostam de “chorar crise”, que ela é uma zona de conforto, por que, nas palavras dele, “quem trabalha, não tem crise!“.

* A diferença do Fórum de Inspirações de outros bureaus é que, ao invés do conteúdo pesquisado ser vendido, ele é compartilhado com as micro e pequenas empresas participantes, para que em colaboração com o projeto desenvolvam produtos a serem expostos no Fórum da Inspiramais.

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* Uma das constatações do Fórum de Inspirações é que o jeans é uma tendência que está sendo “empurrada”, como se forçada a pegar novamente. Hoje o jeans no Brasil perde 30% do mercado para as calças de malha - as polêmicas leggings.

* Duas grandes apostas do Fórum são as peças de aspecto artesanal trabalhadas como um trompe l’Oeil. Por um lado, pela questão de produção, que por vezes torna inviável o trabalho manual, como um tecido de couro trissê que tem apenas a textura da trama e não fita por fita trabalhadas dessa forma, diminuindo o custo e o tempo de elaboração. Por outro lado, é a questão regional, como a tendência do tricô no Nordeste que, por causa do clima, torna-se de difícil aderência; uma solução encontrada no Fórum é o tecido levinho com estampa de tricô, assim cria-se o desejo de inverno de forma praticável até onde faz muito calor.

Mix by Brasil

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*Coordenado por Jefferson de Assis, o Mix by Brasil é um projeto realizado com artesãos, buscando, junto a esses pequenos produtores, uma técnica manual ainda não absorvida pelo mercado da moda. O projeto capacita esses artesãos, fazendo-os desenvolver um produto de moda mais refinado para o mercado, mantendo a técnica original enquanto se adapta a uma forma mais comercial.

*São quatro participantes desse projeto, sendo dois artesãos de couro atanado (Oficina Manoel Carlos, que realiza chapelaria típica da Paraíba em couro, e Artesanato do Zé - O Rei do Chapéu de Chifre, que faz o uso de chifres em chapéus e bolsas). Da região Sul, participaram um coletivo gaúcho, o Grupo Canoa, de Canoas, que trabalha com resíduo de borracha, pneus de bicicleta e sombrinhas descartadas para realizar peças em tricô, e o Artisans Brasil, do Paraná, que vem de uma região com a maior produção de casulo de seda do Brasil, o que resulta em muito descarte; os descartados são recolhidos pela entidade Casulo Feliz, que os transforma em fio de seda, então reaproveitado pelo Artisans e transformado em bolsas e acessórios.

Referências Brasileiras

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*Também de coordenação de Jefferson de Assis, o Referências Brasileiras trabalha o verão/17 (e não o inverno/16, como a maioria dos projetos da Inspiramais), e busca tendências inspiradas no Brasil. O processo funciona primeiro com a escolha de uma cidade brasileira como foco, depois é realizada uma saída de campo à cidade para então - em um estágio final - materializar a pesquisa junto a empresas da indústria do couro. Este ano, São Paulo foi a cidade-tema, pegando a arquitetura paulista e a pichação (a tipografia das tags retas) como base para as tendências de minimalismo e abstracionismo.

+Estampa

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*Coordenado por Lucius Vilar, o projeto é um núcleo de tendências voltado para estamparia, apresentando as pesquisas para empresas como a Estúdio Capim, de Alexandra Ward, que é um estúdio de design que cria cerca de 1000 estampas por coleção e já desenvolveu trabalhos para marcas como Alexandre Herchcovitch e Havaianas.

*O +Estampa também trabalha junto a dois ganhadores do Movimento Hot Spot, Marina Rebouças e Renato de Melo Medeiros, ajudando na inserção desses jovens criadores no mercado, auxiliando na criação de novas coleções.

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Fenin, o fôlego da confecção brasileira
22 de Junho de 2015 . Por Patrícia Parenza

O ano está difícil? Sim está! Principalmente para o mercado de moda e confecção. Muitas das coleções encalharam nas lojas com preços nas alturas e o inverno ameno não estimula a compra. Mas nessa Fenin que acontece até terça desta semana, em São Paulo, o clima é de otimismo. Principalmente para o CEO do negócio, Julio Viana, que movimenta o mercado desde 1996. Segundo ele, este é um ano de negociação, mas seguimos realizando. E como!

Foto As Patrícias

Sua empresa está batendo recordes de fôlego em matéria de produção de feiras. Só nesta temporada até final de julho, serão três grandes eventos. Depois desta semana em São Paulo, realizado juntamente com o Salão Moda Brasil (lingerie, praia, fitness), a Expovest monta mais coleções de verão em Bento Gonçalves(de sete a 10 de julho) e estréia a Fenin Fashion Rio, no Riocentro, com o alto verão e festas de fim de ano (de 28 a 30 de julho).

Foto As Patrícias

O Julinho, como é conhecido por todos, é um grande realizador, já passou por algumas crises financeiras e continua firme e forte. Aproveitou a brecha deixada no Rio, com o fim do Fashion Busisnes e do Salão Bossa Nova e está trazendo as grandes marcas cariocas para o seu salão de negócios. Já confirmaram Lenny, Oh Boy, Sacada e outros designers de lá. Serão 10 mil metros quadrados. E olha: ele não depende de instituições que banquem seu negócio, como patrocinadores, é tudo realizado com capital da empresa. Um dos seus trunfos? Ele convida os compradores para virem à Feira, com passagens e duas diárias de hotel… Pois é, é na crise que se aproveita as oportunidades, né? Grande Julinho!

Foto As Patrícias

E a moda para o verão? Como uma grande feira de confecção vemos nos stands os confirmados como tendência e que estarão nas ruas do próximo verão. O destaque fica por conta do trabalho industrial ou manual com aspecto de crochê, o estilo boho que segue firme e forte, as estampas de flores e florestas. A mulher romântica de cintura marcada e com tons pastéis também desfilará no próximo verão.